Operação no Santo Antônio termina com quatro mortos

Um deles não era do “movimento”, mas estava no lugar errado, na hora errada  

Na noite do ultimo dia 18, enquanto o governador do Estado, Cláudio Castro fazia campanha em cima de um caminhão de som na Praça do Papão, o  tiroteio comia solto no Morro do Santo Antônio, a poucos metros dali, no Centro da cidade. Agentes da Polícia Militar e traficantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV), se enfrentaram e o barulho dos tiros podia ser ouvido ao longe. Agente da Guarnição de Ações Táticas (GAT), contaram que estavam em patrulhamento pelo morro para fazer a ocupação da localidade, quando foram surpreendidos pelos tiros e revidaram à injusta agressão. Disseram que no final do combate encontraram um homem caído no chão.   

Segundos agentes, ele carregava uma pistola calibre 380, com seis munições intactas, um rádio transmissor e uma sacola preta com 61 pinos de cocaína, 19 frascos de cheirinho da loló, 139 tabletes de erva seca e 59 pedras de crack. O homem foi socorrido e levado para o Hospital Municipal da Japuíba, mas morreu. Seu corpo foi levado para o Instituto Médico Legal (IML) e até o fechamento desta edição não havia sido identificado.  

Mas o caso teve mais desdobramentos. No outro dia, na manhã do dia 19, moradores localizaram em uma área de mata no alto do morro, mais três corpos que foram cobertos e levados para a entrada do Santo Antônio. Eram dois homens e uma garota. Os angrenses Kaliany Cícera Gonçalves da Silva, de 15 anos e Richard Dutra Moreira, de 24 anos e o carioca Marco Antônio Oliveira Silva, de 19 anos.  Marco e a menina teriam envolvimento com o tráfico local, o que não impediu que suas mortes causassem perplexidade e tristeza. Mas a morte de Richard causou muita comoção na cidade.  

Todos os que o conheciam foram unanimes em afirmar que o jovem, com uma carreira promissora de barbeiro e cabeleireiro, estava no lugar errado, na hora errada. Richard teria deixado seu salão, na subida do Santo Antônio, para atender os jovens do “movimento”, momento em que teria sido surpreendido pelo tiroteio. A morte dos dois jovens angrenses foi amplamente divulgada, inclusive  com fotos deles vivos e mortos, na internet (Facebook, Instagram, Twitter e Whatsapp). Ocasião em que as pessoas que moram em áreas dominadas por facções criminosas, explicaram que Richard  não poderia ter se negado a atender os traficantes, justamente porque morava  na localidade e conhecia alguns deles desde criança.   

Os três corpos foram recolhidos pelo rabecão e levados para o IML. O caso foi registrado na 166ª DP, que investiga as circunstâncias das mortes. Richard e a menina foram velados na Capela Mortuária da Matriz, no Centro da cidade e foram sepultados no dia 20, no Cemitério do Santo Antônio.

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