Lamentável

O Governo Federal divulgou no último dia 16, o resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2022, e infelizmente, o Rio de Janeiro obteve um dos piores resultados da região Sudeste, ou seja, ficou abaixo dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. Aliás, o Rio ficou pau a pau com estados como Piauí e Alagoas, que historicamente mantém índices educacionais abaixo da média brasileira. Para quem não sabe, o Ideb é calculado a partir dos dados sobre aprovação escolar e das médias de desempenho no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).

Lamentável 2

A educação municipal de Angra, também não figura entre as melhores do Estado. Com um orçamento milionário, que destinou apenas este ano cerca de 200 milhões de reais para a educação, o município não obteve notas que o colocasse nem entre os 10 primeiros colocados. Entre os 92 municípios do Rio de Janeiro, o 1º colocado foi a cidade de Miracema, que tem um orçamento para a educação de cerca de 30 milhões. Aliás, o orçamento total da prefeitura de Miracema é de aproximadamente, 157 milhões de reais.

Lamentável 3

Entre os cinco municípios que compõem a região da Costa Verde, ou seja, Itaguaí, Mangaratiba, Angra, Paraty e Rio Claro, o único que fez bonito foi Rio Claro, que ficou entre os seis melhores do Estado em educação pública na avaliação do Ideb. E por favor, não venham querer contar ‘causo’ de que não dá para comparar número de alunos na escola pública com orçamento, pois a vergonha para Angra será ainda maior, principalmente se formos comparar a infraestrutura das redes públicas municipais, somada a remuneração dos agentes públicos e custo per capta de cada aluno matriculado na rede municipal de Angra.

Panos quentes

Infelizmente este fiasco diagnosticado pelo Ideb na educação, veio com a justificativa de que por conta da pandemia, das escolas fechadas e de dois anos de aprovação automática dos alunos esses números podem não retratar a realidade. Ou seja: a coisa deve ser muito pior do que esses pífios resultados. Aliás, nossas autoridades nem precisavam aguardar o resultado do Ideb para ver o prejuízo educacional sofrido por nossas crianças. Bem como se tivessem o mínimo de decência, nunca teriam permitido que os alunos fossem aprovados automaticamente como nossa cidade fez, já que boa parte da comunidade escolar experimentava pela 1ª vez o sistema híbrido e isso inclui os próprios professores.

Antolhos

Mas como tudo gira em torno da manutenção do poder, os políticos preferiram tratar de maquiar a realidade e ludibriar as famílias, avançando seus filhos para séries superiores, mesmo sabendo que essas crianças não teriam condições pedagógicas para tanto. Aliás, durante esses dois anos de pandemia e escolas fechadas, a responsabilidade pela alfabetização ficou praticamente a cargo dos pais, que mal completaram o ensino básico. Aliás, basta observar a declaração de escolaridade do eleitorado angrense para ver que mais de 50% da população adulta não terminou o ensino primário. Esses dados são facilmente encontrados no site do TSE, que atualiza a cada nova eleição, ou seja, de dois em dois anos, o número de eleitores do país acima dos 16 anos, que tem Título de Eleitor.

Não é prioridade

Educação pública de qualidade nunca foi prioridade no Brasil. Muito pelo contrário, já que entra ano após ano e apenas assistimos as antigas práticas eleitorais do coronelado, dos donos do poder, para manter no cabresto os pobres coitados dos incautos, serem trocadas. Ou seja, trocaram a dentadura ou o par de botinas pela cesta básica, inclusive vencida, ou por um auxílio financeiro qualquer, sob a bandeira da insegurança alimentar dos mais necessitados, que já não suportam viver da esmola estatal, mas que não tem ferramentas, como a educação, para tirá-los desse ciclo eterno de miséria e subserviência.

Povo apaziguado

Aliás, a cada novo ano eleitoral, essa prática do toma lá dá cá, só ganha uma nova roupagem. Mal o ano eleitoral começa para os políticos começarem a arrumar artifícios para apaziguar o povo. O ex-presidente Fernando Henrique, por exemplo, criou o Bolsa Escola, em nome das melhorias na educação e, é claro, de sua reeleição. Com Lula não foi diferente. Ele rebatizou o programa para Bolsa Família, garantiu a reeleição e ainda elegeu sua sucessora Dilma Roussef. Jair Bolsonaro também não ficou atrás do assistencialismo de Fernando Henrique e Lula para tentar garantir a reeleição, criando a toque de caixa, o Auxílio Brasil. Ou seja, no final das contas, a cada pleito eleitoral, os mandatários apenas distribuem um trocadinho, do tipo cala boca, com o nosso dinheiro é claro, para se manterem no poder. Então, porque será que a educação no Brasil não melhora? Porque se o povo começar a juntar o lé com cré acaba a sangria e o enriquecimento imoral da classe política brasileira, que vai de sítio em Atibaia a mansão em Brasília.

Pão e circo

Esse tipo de política não é praticado apenas a nível nacional. O atual governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, por exemplo, tratou de arrumar um jeito de distribuir dinheiro, via cartão Supera Rio. Em Angra, o recurso para o povo chegou em junho, com um Cartão Educação, para compra de material e uniforme escolar, assim como o calendário de eventos do município, quem vem gastando horrores em festas. Neste último fim de semana, por exemplo, a secretaria de Eventos gastou 600 mil reais, sem licitação é claro, numa competição de jet ski que não atraiu meia dúzia de gatos pingados. Aliás, a nata da sociedade angrense, que não tem emprego nem presta serviços para a prefeitura, ficou chocada com o valor investido em tal evento, que teria sido promovido por um ‘profissional’ de campanha política, que teria alçado tal benesse após abandonar um ex-candidato a prefeito de Angra. 2022 merece o título do ano do pão e circo, já que tem vasta distribuição de comida e muita festa para apaziguar os ânimos.

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