Tribunal do tráfico julgou e executou jovem que matou barbeiro no Morro da Caixa D’Água

Jovem teria disparado tiro que matou o barbeiro

Jéssica seria do “movimento” e disparou o tiro que matou morador acidentalmente

Uma sucessão de fatos que jamais deveriam ter acontecido deixou um saldo de dois mortos no Morro da Caixa D’Água, no Centro da cidade, no fim de semana dos dias 8 e 9. A primeira morte aconteceu no início da noite do dia 8. Quando o barbeiro João Batista Elias, de 54 anos, foi vítima de uma bala perdida na localidade conhecida no morro como Final Feliz. O barbeiro, um homem descente, foi atingido no momento em que saia de casa para um evento na igreja onde congregava. Na hora em que João Batista foi atingido, a vasilha que ele levava para a igreja com molho de cachorro quente, se espalhou pelo chão. Ele ainda foi socorrido e levado para o Hospital Municipal de Japuíba, mas não resistiu ao tiro que atingiu sua região cervical, no pescoço. Ele era um dos donos da Barbearia Elias, bem antiga na cidade, que fica na Rua Pereira Peixoto, no Centro, ao lado da Igreja Matriz. A morte de forma tão estúpida de um homemi de bem, trabalhador, conhecidíssimo na cidade, logo chegou às redes sociais e aos grupos de notícias do WhatsApp. O corpo de João foi velado na Assembleia de Deus Ministério Sul Fluminense, na subida do Morro do Santo Antônio. Ele foi sepultado às 17h do mesmo dia, no Cemitério do Santo Antônio. Sua morte foi uma tragédia e uma infeliz coincidência. João Batista Elias foi o segundo barbeiro morto desde que o tráfico de drogas tomou conta dos morros do  Centro da cidade. O primeiro foi o jovem, Richard Dutra Moreira, de 24 anos, morto durante uma operação da PM no morro da Caixa D’água, que fica ao lado do Santo Antônio, no último dia 18 de agosto.  O jovem estaria no local cortando o cabelo dos “meninos” do tráfico e acabou sendo atingido na troca de tiros.

Inocente perdeu a vida por causa do tráfico de drogas

Tribunal do tráfico age rápido

Da mesma forma em que a notícia da morte de João tomou as redes sociais, o desfecho sobre a tragédia também foi rápido.

Uma jovem, que faria parte do “movimento”, ou seja, do tráfico de drogas, que na região central da cidade é comandado pela facção criminosa Comando Vermelho (CV), teria disparado acidentalmente enquanto “brincava” com sua pistola. Antes de atingir o barbeiro, o tiro ainda teria passado de raspão por uma criança, furando inclusive o casaco que ela vestia.

Fotos e vídeos da tal jovem, que supostamente se chamaria Jéssica Montenegro, de 20 anos, começaram a circular na internet. Ela aparecia dançando e fumando um cigarro de maconha enquanto carregava uma garrafa de uísque e exibia uma pistola na cintura em um coldre de oncinha.  

Mas se pela lei dos homens de bem, a jovem teria direito a um julgamento justo, o mesmo não acontece pela lei da bandidagem. Na noite do dia 9, “surgiu” nos grupos de WhatsApp uma foto de Jéssica aparentemente morta  e com várias marcas de ferimentos no corpo. A informação era de que ela teria sido sumariamente julgada e condenada à morte pelo tribunal do tráfico. Jéssica teria sido torturada, esquartejada e enterrada no cemitério que o CV mantém no alto da Caixa D’Água, destinado aos desafetos e vacilões da facção criminosa. Na página da jovem no Faceboock amigos lamentaram sua morte e, pelo menos, uma pessoa diz que havia pedido para ela não voltar para Angra. Pois ela voltou e morreu. A suposta morte de Jéssica não foi registrada na delegacia, pois se não há corpo não há óbito. Bem como nenhum parente da jovem apareceu na delegacia para registrar o seu desaparecimento.

Foto de Jéssica morta circulou na internet

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