A vida como ela é

Existem certos momentos na história deste município fidedigno das artimanhas políticas descritas em ‘O Príncipe’ de Nicolau Maquiavel. As estratégias e tramóias elaboradas para manter o poder supremo do príncipe neste pleito eleitoral não me surpreenderam. Aliás, dizem que o escândalo de corrupção ocorrido em 2007, que ficou conhecido pelos munícipes como Cartas Marcadas, é fichinha perto do atual balaio sujo e mal cheiroso que embala a nova onda do poder municipal.

Ideologia infantil

Ideologia é uma coisa infantil, utópica, tanto para a maioria dos políticos quanto para o povo. O bem comum, o amor pela cidade, pela coletividade, pelo desenvolvimento do país é o que menos importa para a grande maioria daqueles que se propõem a vida pública. O que vale é o poder e como manter-se nele. Não importa o custo, muito menos os meios para conquistar esse poder. Os inimigos de outrem passam a serem os melhores amigos de hoje, desde que o vil metal esteja no jogo. As pretensões políticas e o sonho de alcançar um pedacinho desse poder, ofertado generosamente  pelas mãos do rei faz o sujeito vender a própria mãe, já que alma ele já não tem. Enquanto boa parte do povo permanecer na ignorância, disputando uns trocados para a boca da urna, vendendo o próprio futuro, esse país não vai pra frente, que dirá esta cidade. Aliás, esse trocado, tão almejado nas eleições é tirado deles mesmos, via verba partidária ou de outras vias nada republicanas, que tem em comum apenas a origem, o dinheiro público.

Ao vento

No atual cenário político, escrúpulo tornou-se uma mera palavra no dicionário da língua portuguesa, que há muito tempo foi jogada ao vento. Aliás, em Angra, escrúpulo é coisa de mané. Malandro mesmo é o artista, que chora na porta da Defesa Civil, não pelos mortos das trágicas enchentes angrenses, mas por mais um contratinho emergencial firmado à toque de caixa entre os executivos e os legisladores, que cultivam um verdadeiro laranjal, plantado exclusivamente para subsidiar a arte da política. Aliás, tem‘cabeça de rollon’ mandando e mamando muito, principalmente depois que carimbou seu passaporte turístico. A Localiza que se cuide, já que aluguel de carro passou a ser a mais nova modalidade turística explorada no momento, e como todos os produtos vendidos e elaborados pelas ‘organizações Tabajaras’ são de primeira categoria, esse já vem aromatizado pelo perfume do‘cabeça de rollon’, o desodorante mais caro do mercado angrense.

Pura ilusão

E por falar em desodorante, tem gente iludida que acredita que vai deixar de ser Leite de Rosas para virar perfume francês. Parece que não entendeu até hoje que nesse baralho de cartas marcadas, a cadeira do rei já foi empenhada na mesa do cassino. Um par de senadores são os detentores da penhora. Os reis da jogatina vão lançar na mesa o ex-coordenador de campanha do ‘50 Dentes’, que inclusive já é intimo do dono do cassino, o croupier e sua Dama de Copas. O  As de Paus, ou será cara de pau, escolhido pelos senadores, garante que não tem medo de enfrentar o 50 Dentes, que não teria mais nenhuma juíza para arbitrar em sua defesa, muito menos, os arquivos processuais de sua ‘mami’ poderosa, que veio para Angra, exclusivamente, para esquentar juridicamente determinados processos licitatórios do rei, num passado não tão distante.

Inseticida

Portanto, Leitinho de Rosas, é melhor se conformar com a gorda poupança que está fazendo para a sua aposentadoria, e tratar de curar essa picada da tal mosca azul, antes que seja atingido por um jato de baygon e sofra na pele a mesma desilusão sofrida por um amigo em comum, que morava na Vila Velha. A coitada da viúva penou e ainda pena, com a herança dos processos do rei deixados sob os cuidados do seu fiel tesoureiro. Aliás, o rei foi tão cruel com a família do falecido súdito, que fez de tudo para evitar recebê-la em seu Palácio e se eximir da culpa. Por sorte, alguns mercadores do ouro e da prata, tão cobiçados pela corte real, resolveram intervir e assumir o custo jurídico dos processos herdados pelo espólio da família do tesoureiro. Simples assim, ou será que a sua digníssima jardineira está disposta a deixar crisântemos e muitas lágrimas de herança para os netinhos?

Aliás e a propósito

A eleição de domingo foi um déjà vu das eleições de 2018. A única diferença é que a versão 2022 foi maquiavelicamente melhor arquitetada. O rei não teve pena dos súditos e tratou de conduzí-los com mãos de ferro. A ordem na corte era para cortar a cabeça de qualquer um que ousasse debandar do castelo para a província. Várias guilhotinas foram erguidas no entorno das lavouras que prestam serviços ao Palácio Raul Pompéia. Os súditos que ousassem deixar de votar na Dama de Copas ou que decidisse declarar apoio ao Valete de Espada eram condenados pelo rei ao desemprego e a miséria. De varredor de rua à arrecadador de impostos, ninguém seria perdoado. O medo da máquina pública, que alimenta o estômago, falou mais alto e garantiu aos apaziguados súditos, um trocadinho extra na boca da urna para quem deixasse de votar no Valete de Espada e votasse em um dos mais variados desconhecidos da plebe para deputado federal. Tinha de tudo. De Bob Esponja a primeira dama da Lava-Jato. Agora só precisamos saber até quando esse castelo, alicerçado sobre a areia vai continuar de pé.

O preço

Está mais que comprovado que em Angra praticamente tudo e todos tem um preço. Mais uma coisa é certa: o tempo não tem preço e 2024 é logo ali. No mais, aguardemos as cenas dos próximos capítulos dessa pornochanchada municipal.

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