Política com P maiúsculo

A eleição da nova mesa diretora da Câmara Municipal de Vereadores, que aconteceu na tarde do dia 8 de novembro, foi digna de quem sabe fazer política com P maiúsculo. Os vereadores eleitos para comandar a Casa no biênio 2023/2024, agiram com a astúcia de quem aprendeu a lidar com os lobos, e com uma estratégia silenciosa, deram uma verdadeira calça arriada no prefeito Fernando Jordão e em sua suposta ‘tropa de elite’. Luciana Valverde, que é a atual líder do Governo e até então, a futura presidente da Câmara, subiu as escadarias do Plenário Benedito Adelino vestida num salto 15, crente que a vitória era certa, mas desceu coberta pelo amargor da derrota.

Bem-aventurados

Rubinho Metalúrgico, eleito presidente, ao declarar que era candidato a presidente, fez questão de afirmar que entrou na disputa para fazer justiça aos humildes e humilhados, ressaltando o nome dos parlamentares Gabriela Carneiro, Edinho Rodrigues e Jorginho Brum, que seriam tratados pelos governistas como vereadores de segunda classe. Time do baixo clero. Esses vereadores teriam sido pisoteados e tratados com escárnio nos últimos dois anos pelos poderosos apadrinhados do prefeito e pelo próprio alcaide, que acredita que convidar os ‘pobres coitados’ para comer uma pizza em sua casa de praia é uma grande honra. Aliás, nessas reuniões, o poderoso chefão adora eleger um dos convidados para servir de bobo da corte, com piadinhas sem graça e maledicentes, com o intuito único de diminuí-los e humilhá-los. Bem do tipo ‘você é um Zé ninguém, entendeu?’.

Mordeu a isca

O novo apelido de tubarão dado ao prefeito Fernando Jordão pelos cabos eleitorais, caiu como uma luva sobre o alcaide, que mordeu a isca deixada pelas sardinhas e acabou encurralado pelo cardume. E não se iluda, isso é só o começo do que está por vir. Ou será que ninguém está sentindo o mau cheiro desse balaio sujo que está circulando entre os poderes?

Homem digno

O vereador Edinho Rodrigues deu um verdadeiro espetáculo de humildade e hombridade, durante todo esse processo eleitoral. Durante os últimos dois anos, Edinho amargou muitas derrotas. Nenhum dos seus requerimentos com pedidos de informações para apurar supostos casos de malversação do dinheiro público foi aprovado pela tal tropa de elite do governo, que passava como rolo compressor sobre o parlamentar, que apenas tentava exercer a função fiscalizadora, a qual foi eleito para fazer. Não foi uma nem duas, mas muitas as vezes em que o parlamentar teve que impetrar ações no Ministério Público para obter informações básicas, mas infelizmente, a justiça é morosa demais e quando chega, na maioria das vezes, o dano já virou ato consumado. Exemplo disso é o processo que investiga desde 2007, suposta corrupção na prefeitura de Angra, conhecido como Operações Cartas Marcadas, que não teve uma sentença definitiva até hoje. Edinho foi peça chave e saiu como o grande articulador dessa reviravolta eleitoral. Ele espera que assim que a nova administração assumir a Câmara, a porteira seja fechada para que o povo realmente possa ser o único beneficiado do dinheiro público.    

Sem postura

Com um comportamento bem diferente da posição firme de Edinho Rodrigues, Jorge Eduardo Mascote continua fazendo a política pequena do ‘farinha pouca meu pirão primeiro’. Jorge não consegue emplacar um projeto digno de um parlamentar de terceiro mandato. Seu projeto da ZPE é motivo de chacota e foi engavetado há muito tempo pelo Executivo Municipal. Aliás, Jorge, nunca foi prestigiado sequer com uma secretaria. No 3º mandato do prefeito Fernando Jordão, quando ele resolveu que não concorreria ao cargo de vereador naquele pleito, Jorge quis ser secretário de Esportes, mas o prefeito não o prestigiou, dando-lhe um cargo de sub na Ação Social, que só servia para figuração, pois o próprio vivia se lamentando pelas esquinas de que era humilhado pela então secretária, a primeira-dama e hoje deputada Célia Jordão. Tanto que quando a mesma cansou da pasta, nomeou Munir, irmão do prefeito Neto de Volta Redonda como seu braço forte. Ou seja, preferiram prestigiar gente de fora da cidade do que a prata da casa. Aliás, nos cinco minutos de recesso para que os vereadores discutissem a composição da Mesa no caixote, Jorge teria sido humilhado e colocado como descartável, um mero figurante no pleito pelo eleito 2º secretário, vereador Dudu do Turismo e mesmo assim, continuou no papel de subserviente. Realmente, postura zero para quem se esgoela dizendo que é candidato a prefeito. Aliás, o desprestígio dos angrenses é tanto quando o quesito cargo de chefia, que até o ex-massoterapeuta do prefeito Neto de Volta Redonda virou secretário de Saúde. Ou seja, só gente importada com talento e caneta Mont Blanc para assinar tudo sem questionar uma vírgula sequer.

Aliás e a propósito

O Ministério Público deveria começar a observar com mais atenção, os contratos em vigor e os emergenciais firmados com empresas como a Doce Angra de locação de embarcações, que era do vereador Dudu do Turismo, e que supostamente continua sendo de pessoas subordinadas a ele. Dizem que durante a tragédia das chuvas, que atingiu violentamente o bairro da Monsuaba, essa empresa teria abocanhado quase 800 mil reais da TurisAngra em diárias de locação de barcos. Se isso for verdade, é triste demais, pois enquanto o povo chora pelo sofrimento tem gente chorando de alegria por lucrar em cima da desgraça alheia.

Pente fino

Aliás, dinheiro público é coisa séria. E é com essa preocupação que o novo presidente da Câmara, vereador Rubinho, se preocupa, tanto que assim que assumir a Casa, irá realizar uma auditoria em todos os contratos em vigor, bem como pretende começar a construir, a sede própria do parlamento angrense, no terreno comprado durante administração do ex-vereador José Antônio, e que hoje, encontra-se abandonado e cheio de mato, no Parque das Palmeiras. Rubinho afirma que é inadmissível, a Câmara continuar pagando vários aluguéis milionários com o orçamento anual que tem.