Oitenta crianças estão há quase cinco meses sem aulas na aldeia Sapukai Guarani

O 19 de abril deveria ser de comemoração na Aldeia Sapukai Guarani, no Bracuí, local onde residem centenas de indígenas, muitos em idade de alfabetização, mas foi marcado por protestos.

Por pura negligência do Estado, os indígenas têm seu direito à educação negado. São quase cinco meses sem aulas na escola da aldeia e incertezas sobre quando uma atitude será tomada.

A educação dos indígenas, no primeiro segmento, em Angra e Paraty, é responsabilidade da Secretaria de Estado de Educação. Atualmente, oitenta crianças não têm acesso à educação e outros dez alunos saíram da aldeia para se matricularem no ensino fundamental oferecido pelo município, mas não há professores habilitados para o ensino dentro da cultura guarani.

No dia dedicado aos povos indígenas, os guaranis realizaram um protesto pela garantia de seus direitos. Na ocasião, a secretaria de Estado de Educação havia ido à aldeia, acompanhando estudantes universitários. Na segunda-feira, dia 22, outro protesto foi realizado pelos indígenas.

O cacique Algemiro Karaí Mirim disse que a aldeia tem seis professores aptos para lecionar, mas até o momento os contratos desses docentes não foram renovados pelo Estado.

“Já tivemos problemas anteriores, mas nunca tanto tempo sem aula. Faço um apelo às autoridades para resolver logo, caso contrário, não dá”, disse o cacique.

O professor Dirceu Karaí Mirím, que tem filhos em idade escolar, expressou sua preocupação com a falta de professores na aldeia Sapukai. Ele enfatizou a urgência de resolver essa questão, pois as crianças estão sendo prejudicadas.

“Elas estão paradas por um longo tempo, o que vai afetá-las muito. Estão sentindo falta das aulas e seu aprendizado está estagnado. Peço às autoridades que olhem para nossas crianças e percebam que estão sem aulas. Coloquem-se no lugar delas. Os filhos deles estão estudando”, desabafou Dirceu.

O geólogo Pedro Neves foi escolhido pela aldeia como mediador junto ao Estado e explicou sobre o primeiro segmento ser de responsabilidade da Secretaria de Estado de Educação.

“Por essas aldeias estarem espalhadas no estado do Rio, eles preferem que seja estadual. Assim, consegue-se ter uma política educacional mais abrangente. Caso contrário, se estiver sob o poder de uma prefeitura, será desenvolvida uma política educacional, e no outro município, outro conteúdo de educação. E isso pode causar desalinhamento no processo de luta da etnia aqui no estado”, explicou Pedro.

Até a publicação desta matéria, as oitenta crianças indígenas continuavam sem acesso ao ensino fundamental, e os professores e pais de alunos, sem uma resposta do estado.