A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj)
consolidou, nesta terça-feira (28/04/2026), um movimento de união entre os 92
municípios fluminenses para barrar a redistribuição dos royalties do petróleo.
O presidente da Casa, deputado Douglas Ruas (PL), anunciou que entregará
pessoalmente ao STF um manifesto que aponta o risco de colapso financeiro do
Estado caso a Lei 12.734/12 seja validada no julgamento previsto para maio.
🟧 O drama de Angra dos
Reis e municípios produtores
Angra dos Reis, um dos pilares da economia petrolífera e
energética do estado, é um dos municípios que mais sofreriam com a mudança.
Estimativas indicam que a cidade enfrenta uma ameaça de redução drástica em sua
receita corrente, o que comprometeria investimentos em infraestrutura e
serviços básicos.
Para municípios produtores como Angra, as perdas individuais
podem ultrapassar a marca de centenas de milhões de reais anuais, afetando
diretamente a manutenção de unidades de saúde e escolas que dependem desses
recursos para operar.
🟧 Impacto econômico e
social
O documento, elaborado pela Comissão de Orçamento, detalha
prejuízos catastróficos. A estimativa é de uma perda anual de R$ 22 bilhões,
sendo R$ 9 bilhões para o governo estadual e R$ 13 bilhões para as prefeituras.
Segundo o secretário estadual de Fazenda, Juliano Pasqual, o impacto direto
atingiria áreas críticas:
- Rioprevidência:
Perda média de R$ 4,6 bilhões, o equivalente a duas folhas de pagamento de
aposentados.
- Serviços
essenciais: Redução de R$ 1,3 bilhão por ano em verbas para saúde,
educação e segurança.
- Empregos:
O setor produtivo estima o fechamento de até 311 mil postos de trabalho.
🟧 O argumento da
injustiça federativa
O procurador-geral do Estado, Renan Miguel Saad, defende que
a mudança na lei ignora a lógica da compensação financeira. Ele argumenta que o
Rio de Janeiro é o único estado que não tributa seu principal produto
(petróleo) na origem, sofrendo penalidades acumuladas que já somam R$ 71
bilhões nos últimos quatro anos. "O Rio concentra 85% das reservas e 83%
da produção nacional, arcando com todos os riscos ambientais e
estruturais", destacou Antônio Florêncio Queiroz, presidente da
Fecomércio-RJ.
🟧 União entre os
municípios
O manifesto conta com o apoio inédito de prefeitos de
cidades produtoras e não-produtoras, além de federações como Firjan e
Fecomércio. Para Tande Vieira, prefeito de Resende e presidente da AEMERJ, o
recurso dos royalties é fundamental para projetos estruturantes que impactam
diretamente a vida da população, e não um "luxo" arrecadatório.