A primavera, que começa oficialmente em 22 de setembro, deve
chegar à Costa Verde sob alerta. O El Niño, fenômeno que aquece as águas do
Oceano Pacífico Equatorial, já é considerado forte e tem mais de 90% de
probabilidade de atingir intensidade muito forte durante a estação, segundo a
NOAA, agência oceânica e atmosférica dos Estados Unidos. Para o litoral
fluminense, o cenário combina temperaturas acima da média com risco de chuvas
concentradas, o que acende o sinal de atenção em uma região marcada por encostas
da Serra do Mar e áreas de risco.
O boletim nº 3 do Painel El Niño 2026-2027, divulgado em 1º
de setembro pelo INMET em conjunto com INPE, ANA, CEMADEN, SGB, SEDEC e
CENSIPAM, indica que o Sudeste deve registrar temperaturas acima da média e
aumento na frequência de ondas de calor — de duas a três episódios na média
histórica para três a cinco em anos de El Niño. Em julho, 89% da região estava
sob alguma condição de seca, sendo 2% em situação grave. A combinação de
estiagem prolongada e calor intenso aumenta a demanda evaporativa e a perda de
umidade do solo.
Para a Costa Verde, o risco está justamente na transição:
após um período de estiagem, a chegada das chuvas de primavera pode ocorrer de
forma concentrada e intensa, cenário historicamente associado a deslizamentos
de encostas, alagamentos e enxurradas na região, que concentra comunidades em
áreas de alta declividade e faixas litorâneas vulneráveis. O INMET ressalta,
porém, que um El Niño mais intenso não significa automaticamente impactos mais
severos, e que a ocorrência e a magnitude dos eventos dependem da interação de
fatores atmosféricos e oceânicos.
O fenômeno deve permanecer ativo até o início de 2027, com
enfraquecimento previsto apenas no decorrer do outono. Até lá, a recomendação
dos órgãos oficiais é acompanhar continuamente os avisos meteorológicos e as
atualizações da Defesa Civil, especialmente em períodos de chuva intensa,
quando o monitoramento preventivo é a principal ferramenta para antecipar
situações de risco.