A contagem regressiva para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2026 chega ao fim. Neste domingo (8), mais de 5 milhões de brasileiros se preparam para o primeiro dia de provas, um marco decisivo na jornada rumo ao ensino superior. A expectativa é alta, e a preparação, intensa.
Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a maior parte dos inscritos é composta por mulheres e pessoas que se declaram pardas e pretas, refletindo a diversidade da população brasileira em busca de novas oportunidades. Para muitos, essa reta final é um misto de revisão de conteúdo e gestão de emoções. “É uma pressão que a gente faz consigo mesmo, né? Porque, querendo ou não, é a nossa carreira”, desabafa a estudante Nina Aires, expressando um sentimento comum entre os candidatos.
Enquanto a maioria busca horas de sono essenciais, outros dedicam as últimas noites a intensificar os estudos. Na Zona Norte do Rio de Janeiro, no Museu do Samba, uma turma do pré-vestibular social Samba Educa exemplifica essa dedicação. Localizado em um dos acessos ao Morro da Mangueira, o projeto oferece uma chance para quem sonha alto. “O meu sonho é ter uma condição de dar um suporte para a minha família, poder me desenvolver intelectualmente”, revela o estudante Eliel Nascimento.
O Samba Educa, que neste ano atende a 50 inscritos, destaca-se por sua metodologia inovadora. “A gente tem uma metodologia voltada para trabalhar a cultura do samba, a cultura do próprio carnaval dentro das disciplinas. Aliás, isso tem sido cobrado nos exames de pré-vestibular e acaba sendo uma vantagem para eles usarem a própria vivência deles da comunidade”, explica Barbara Santos, coordenadora do projeto. As vagas são oferecidas, principalmente, para mulheres negras moradoras da região, como Clarice Aparecida, que concilia trabalho e estudos em busca de seu sonho: “Meu dia começa umas 7h30. Acordo, tomo café e vou trabalhar. Dou aula até umas 17h30 e aí venho para cá direto. Vou fazer vestibular para música. Meu sonho”.
Com cinquenta “enredos” prontos para serem colocados à prova, a turma do Samba Educa representa a garra de milhões. “A gente sabe que é muito complicado, tem as dificuldades da vida, as adversidades. Os professores são muito bons, e eu creio que este ano vai ser um ano de coisas boas para a gente”, afirma a estudante Ana Beatriz, cheia de esperança. Que o “desfile das campeãs” do Enem 2026 traga muitas vitórias para esses dedicados estudantes.