O Rio de Janeiro deu um passo significativo na luta contra o crime organizado. Nesta quinta-feira, o Governo do Estado do Rio de Janeiro e o Ministério da Justiça e Segurança Pública firmaram dois Acordos de Cooperação Técnica (ACTs), marcando uma nova era de integração entre as forças estaduais e federais. A iniciativa visa ampliar a segurança pública através da retomada de territórios, proteção de corredores estratégicos e o fortalecimento da presença permanente do poder público em áreas sob influência de organizações criminosas.

Os documentos foram formalizados pelo governador em exercício, desembargador Ricardo Couto, e pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva. Um dos acordos foca no fortalecimento da Política Estadual de Reocupação Territorial, enquanto o outro estabelece uma estratégia integrada para ampliar a segurança nos principais corredores logísticos do estado, essenciais para a economia fluminense.

A parceria é abrangente e inclui:

  • Compartilhamento de informações e inteligência territorial;
  • Apoio operacional e integração de tecnologias;
  • Iniciativas para enfraquecer as estruturas financeiras e patrimoniais do crime organizado.

O governador em exercício, Ricardo Couto, destacou a importância da colaboração: “Segurança pública é um serviço essencial à população e exige a cooperação entre todas as instituições. A parceria entre o Estado e a União amplia nossa capacidade de atuação, com mais inteligência, tecnologia e integração, para fortalecer a presença do poder público onde a população mais precisa. O objetivo é melhorar a vida das pessoas, levando mais segurança e presença do Estado aos territórios”.

A cooperação prevê a integração de forças como a Força Nacional de Segurança Pública, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Polícia Penal Federal, sempre respeitando as competências de cada instituição. Além disso, haverá intercâmbio de informações e protocolos entre os sistemas penitenciários federal e estadual, com o objetivo de isolar lideranças criminosas e interromper a comunicação entre detentos e suas organizações.

“Essa é uma cooperação federativa no sentido pleno: o Estado define suas prioridades territoriais, e a União coloca à disposição suas capacidades operacionais, de inteligência e de investigação patrimonial”, afirmou o ministro Wellington César Lima e Silva.

Atuação nos territórios e combate financeiro ao crime

Um dos pilares desses acordos é fortalecer a presença permanente do poder público nas áreas priorizadas. Isso será feito através da integração de políticas de infraestrutura, desenvolvimento social, desenvolvimento econômico e acesso à Justiça. A implementação será guiada por Planos Táticos de Reocupação Territorial, coordenados pelo Governo do Estado, que também preveem ações de documentação civil, atendimento a vítimas e ampliação de serviços públicos essenciais.

O combate às estruturas econômicas do crime organizado será intensificado com ações de inteligência financeira e patrimonial. A articulação envolverá instituições como Receita Federal, Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Banco Central e agências reguladoras, visando identificar, bloquear e recuperar ativos ilícitos, asfixiando as fontes de financiamento dessas organizações.

Proteção dos corredores estratégicos

O outro acordo estabelece uma atuação integrada para reforçar a segurança em corredores logísticos vitais para o Rio. Entre os trechos definidos como prioritários estão Avenida Brasil, Linha Vermelha, Linha Amarela, acessos ao porto do Rio de Janeiro e acessos ao aeroporto internacional Tom Jobim.

A estratégia inclui planejamento conjunto, monitoramento permanente e o uso de tecnologias avançadas, como cercamento eletrônico, leitores automáticos de placas, drones e centros integrados de comando e controle. O foco principal é a redução de roubos de cargas e veículos, além de fortalecer as investigações contra organizações criminosas que atuam nessas regiões. Com essa união de esforços, “A Cidade” espera ver um Rio mais seguro e com a presença do Estado restaurada onde é mais necessária.