Aos 23 anos, Guilherme Martins, morador do Quilombo do Campinho da Independência, em Paraty (RJ), é um exemplo inspirador de como a paixão e o talento podem ser transformados em uma carreira de sucesso, ao mesmo tempo em que fortalecem as raízes comunitárias. Unindo audiovisual, comunicação e a valorização de saberes ancestrais, ele se destaca como educador socioambiental, realizador audiovisual e coordenador de comunicação do Fórum de Comunidades Tradicionais (FCT).
O FCT, uma importante articulação, congrega comunidades quilombolas, indígenas e caiçaras da Costa Verde do Rio de Janeiro e do litoral norte de São Paulo, evidenciando o alcance e a relevância do trabalho de Guilherme.
O interesse pela comunicação surgiu cedo, na adolescência. Aos 15 anos, impulsionado pela necessidade de registrar e divulgar as atividades de sua comunidade, Guilherme começou a produzir vídeos de eventos culturais e iniciativas locais utilizando apenas seu celular. O que começou como uma forma de dar visibilidade ao quilombo rapidamente se tornou uma vocação, despertando seu interesse genuíno pelo audiovisual e o impulsionando a buscar formação na área.
Em 2021, essa busca o levou ao LABmais, uma plataforma educativa e laboratório artístico do Sesc, voltado para as juventudes. Lá, ele aprofundou seus conhecimentos em oficinas de audiovisual e integrou a equipe do curta-metragem “Onde Está o Tambor?”. A experiência foi um divisor de águas, como ele mesmo afirma: “O LABmais foi a porta de entrada para eu mergulhar de cabeça no audiovisual. A partir dessa experiência, consegui ampliar meus conhecimentos, construir uma rede de contatos e transformar algo que sempre gostei em profissão.”
No ano seguinte, Guilherme expandiu sua atuação, tornando-se mobilizador de jovens e colaborando na produção de “Coração de Kaguy Ijá”, um projeto significativo que reuniu participantes quilombolas, indígenas e caiçaras. Além de mobilizar os grupos, ele também integrou o elenco do filme, enriquecendo ainda mais sua experiência em diversas etapas da produção audiovisual.
Atualmente, o jovem talento desenvolve uma gama variada de projetos audiovisuais, incluindo documentários, videoclipes e coberturas de eventos em diferentes regiões do país. Uma parte significativa de seu trabalho é dedicada à produção de conteúdos focados em povos e comunidades tradicionais, abrangendo ações em aldeias indígenas, territórios periféricos e, claro, em seu próprio Quilombo do Campinho.
Guilherme também é uma figura ativa na Flip Preta, evento realizado paralelamente à Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), onde contribui para a cobertura audiovisual ao lado de outros comunicadores locais, reforçando a importância da representatividade e da pluralidade de vozes.
Para Guilherme Martins, o audiovisual é mais do que uma profissão; é uma poderosa ferramenta de fortalecimento comunitário e preservação cultural. Ele desafia a ideia de que o sucesso exige o abandono das origens: “Muitos jovens acreditam que precisam sair de suas comunidades para construir um futuro. Eu aprendi que é possível gerar oportunidades, desenvolver uma carreira e fortalecer o território ao mesmo tempo”, conclui, deixando uma mensagem inspiradora para as novas gerações.