Muita gente não ficou sabendo, mas os passageiros da barca da empresa Barcas Rio, responsável pelo transporte público entre o continente, em Angra dos Reis, e a Vila do Abraão, na Ilha Grande, viveram momentos de desespero durante o forte vendaval da última quarta-feira, dia 29. Mesmo com as condições climáticas ruins a embarcação deixou o cais, no Centro da cidade, no horário previsto, às 15h30.

O que aconteceu depois foi descrito pelos passageiros como um verdadeiro filme de terror. O resultado da decisão de manter a viagem, somado à falta de fiscalização, por pouco não terminou em tragédia. A embarcação ficou quase cinco horas à deriva no mar. Uma pane elétrica, aliada às condições meteorológicas, fez com que a barca fosse levada em direção ao Camorim Grande.

De acordo com testemunhas, o comandante não teria acionado nenhuma autoridade responsável, mantendo contato apenas com a empresa concessionária do serviço, que, segundo os relatos, não tomou providências imediatas e deixou a embarcação à deriva.

Foram os próprios passageiros que avisaram parentes e conhecidos sobre a situação, pedindo socorro. Três embarcações particulares da empresa Camorim foram até o local e orientaram o comandante a fundear a barca para evitar que ela fosse lançada contra as pedras. Também foram essas embarcações que transportaram um eletricista da concessionária até a barca para solucionar a pane.

Segundo os passageiros, o único apoio oferecido pela empresa responsável pelo serviço foram os coletes salva-vidas. Muitas pessoas passaram mal e viveram momentos de pânico.

Ainda de acordo com testemunhas, após o reparo da embarcação, os rebocadores se ofereceram para acompanhar a travessia até a Vila do Abraão, prestando apoio caso o problema voltasse a ocorrer. No entanto, o comandante teria recusado a escolta.


Os relatos apontam que a barca chegou à Vila do Abraão com diversos passageiros vomitando e em estado de choque. Mais uma vez, segundo as testemunhas, nenhuma autoridade se manifestou sobre o ocorrido.

Para muitos passageiros, o episódio evidencia a precariedade do serviço prestado. Eles criticam a cobrança de taxa de turismo pela empresa Viva Angra, diante da falta de segurança e de assistência em uma situação de risco. Também afirmam que nenhum da Prefeitura esteve no local para prestar apoio ou, ao menos, verificar o estado de saúde dos passageiros após o desembarque.