Os produtores de palmito pupunha do Vale Mambucaba deram um passo crucial em direção ao reconhecimento da qualidade e da identidade única de seu produto. Nos dias 23 e 24 de junho, agricultores da região participaram de uma importante capacitação sobre Boas Práticas de Manipulação de Alimentos (BPM), uma iniciativa promovida pela Embrapa com o apoio estratégico do Sebrae Rio e diversas instituições parceiras.
Esta ação é parte integrante do ambicioso processo de construção do Caderno de Especificações Técnicas, fundamental para a obtenção da Denominação de Origem (DO). A DO é uma modalidade de Indicação Geográfica (IG) que certifica produtos cujas características distintas estão intrinsecamente ligadas ao território onde são cultivados e processados, valorizando o saber-fazer local e as condições naturais.
A capacitação reuniu membros da Associação dos Produtores de Palmito Pupunha do Vale Mambucaba, focando em procedimentos essenciais para garantir a excelência e a padronização da produção. Esta etapa é considerada estratégica para o avanço da certificação. Além de fortalecer toda a cadeia produtiva, a futura Denominação de Origem tem o potencial de agregar valor significativo ao palmito pupunha da região, elevando sua competitividade e reconhecimento no mercado nacional e, quem sabe, internacional.
A jornada para a construção da Indicação Geográfica é fruto de um esforço coletivo notável, unindo produtores rurais, pesquisadores, instituições de apoio e o poder público. Ao longo dos últimos anos, a Embrapa tem conduzido estudos técnicos aprofundados para comprovar que as qualidades singulares do palmito pupunha do Vale Mambucaba são diretamente influenciadas pelas condições ambientais, pelo solo fértil, pelo clima particular e pelo conhecimento tradicional acumulado pelos agricultores locais.
Para Fábio Gameleira, coordenador do Sebrae Rio na região da Costa Verde, o projeto transcende um simples selo. “A Indicação Geográfica vai muito além de um selo. Ela fortalece a identidade do território, valoriza o trabalho dos produtores, amplia oportunidades de mercado e contribui para o desenvolvimento sustentável da agricultura local. O Sebrae acredita na força da organização coletiva e seguirá apoiando todas as etapas desse processo”, afirmou Gameleira, destacando o impacto transformador da iniciativa.
Rebeca Beazussi, diretora da Associação dos Produtores de Palmito Pupunha do Vale Mambucaba, ressaltou a dedicação dos agricultores. “Estamos construindo um projeto coletivo, que envolve conhecimento, pesquisa e muito trabalho. Cada capacitação fortalece nossos produtores e nos aproxima da conquista da Denominação de Origem, um reconhecimento que valoriza nossa história, nossa terra e a qualidade do palmito pupunha produzido no Vale Mambucaba”, enfatizou Beazussi, com otimismo.
Embora ainda existam etapas técnicas e institucionais a serem cumpridas, os progressos já alcançados reforçam o imenso potencial do projeto. A expectativa é que a futura Denominação de Origem consolide o Vale Mambucaba como uma referência nacional na produção de palmito pupunha de alta qualidade, gerando mais renda, reconhecimento e impulsionando o desenvolvimento socioeconômico para todos os agricultores e a comunidade da região.