A iminente implementação de uma taxa de turismo de R$ 50 por pessoa em Angra dos Reis, a partir de 1º de junho, tem gerado forte apreensão entre empresários do setor e representantes políticos. Em audiência pública realizada na última quinta-feira, na praça central da Vila do Abraão, na Ilha Grande, os participantes alertaram que a nova cobrança pode prejudicar severamente a economia local e afastar visitantes de um dos principais destinos turísticos do estado.

A medida prevê que todos os visitantes paguem uma taxa fixa de R$ 50, com validade de 30 dias, para acesso tanto ao continente quanto às ilhas de Angra dos Reis. A discussão foi promovida pela Comissão de Defesa do Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), que ouviu as preocupações de diversos segmentos da sociedade.

Um dos pontos mais criticados durante o encontro foi o descolamento da taxa aprovada em relação a um estudo técnico elaborado pela própria prefeitura. Segundo representantes do setor, o documento original recomendava uma taxa de apenas R$ 2,70, com recursos destinados exclusivamente a um fundo de preservação ambiental da Ilha Grande. A legislação atual, contudo, prevê uma cobrança muito superior, com os valores sendo direcionados ao caixa geral do município.

O presidente do colegiado da Alerj, deputado Jorge Felippe Neto (PL), foi enfático ao declarar que a cobrança é “sem retorno para a população e prejudica toda a cadeia local: barqueiros, flexboats, restaurantes, comerciantes, trabalhadores e moradores”. Ele reforçou o compromisso da comissão: “Defender o meio ambiente também é defender quem vive do turismo e sustenta a economia da região. Seguiremos cobrando diálogo, transparência e respeito com a população de Ilha Grande.”

Corroborando as preocupações, o deputado Marcelo Dino (PL), membro efetivo da Comissão, ressaltou os impactos negativos na vida dos moradores. “Essa taxa cria transtornos, prejudica o turismo e afeta quem gera emprego. Nós vamos lutar contra essa cobrança, seja na Justiça ou no Tribunal de Contas”, prometeu o parlamentar.

Representando a Associação dos Meios de Hospedagem da Ilha Grande (Amhig), Frederico Britto classificou a cobrança como injusta e prejudicial. Ele exemplificou o peso financeiro para as famílias: “Um casal com um filho gastará quase R$ 750 apenas com barco e taxa, sem contar o translado até Angra dos Reis. Isso é incentivo ao turismo?” Britto alertou que o impacto financeiro pode afastar turistas e dificultar o acesso ao destino, colocando em risco a economia da ilha, que é fortemente dependente da atividade turística.

“Ordenamento se faz com gestão, não com taxação. A associação é contra essa medida e vai continuar lutando por um turismo realmente sustentável na Ilha Grande”, concluiu Britto, sinalizando que a batalha contra a taxa está longe de terminar, com o setor e os parlamentares unidos na busca por uma revisão da medida.