Uma complexa estrutura de monitoramento tecnológico, uso de menores de idade na linha de frente e armamento pesado de guerra. Relatos alarmantes de moradores dos morros da Caixa D’água, do Carmo, do Perez e da Glória 1 acendem o alerta para a audácia da facção criminosa Comando Vermelho (CV) na região central do município. Acuados, os cidadãos clamam por socorro e pedem intervenção imediata das forças de segurança pública (Polícias Militar, Civil e Federal).

O Big Brother do Crime: Monitoramento por Imagens
A denúncia mais surpreendente aponta para uma sofisticada tática de contraespionagem. Segundo os moradores, o tráfico local implantou uma rede de vigilância por câmeras que monitora as principais ruas, escadarias e vielas de acesso às comunidades.
O esquema estaria sendo viabilizado por uma suposta empresa de fachada de TV a cabo e internet, que tem, inclusive, sede física. As câmeras não se limitam aos morros. De acordo com os relatos, o monitoramento se estende a pontos estratégicos da região central e arredores, incluindo: Rua Maria Luiza de Oliveira,  Rua Bacharel Armando de Carvalho Jordão e Rua Moacir de Paula Lobo.
Essa rede de olhos digitais explica a facilidade com que os criminosos antecipam as ações do Estado. No último dia 24 de maio de 2026, domingo, duas viaturas da Polícia Militar subiram a comunidade por volta das 17h, mas encontraram as ruas vazias. Avisados com antecedência, os traficantes haviam recolhido o material. Já na segunda-feira, dia 25, em uma operação surpresa, houve intenso tiroteio. Contudo, os suspeitos conseguiram fugir em direção à mata e a imóveis de colaboradores na região.

Foto meramente ilustrativa (Fonte: internet)
Logística e Modo Operacional 24 Horas
Segundo a denúncia, o tráfico de drogas nas localidades funciona em regime ininterrupto, dividindo-se estrategicamente ao longo do dia na Rua Salomão Reseck.  No período diurno a concentração ocorre no final da via, em uma área conhecida como "Final Feliz". No período noturno os pontos de venda migram para o início das escadarias Campo da Bolívia, que conectam os morros do Perez e Glória 1  e para as escadarias Aluísio Alves Ramos.

Para tentar despistar flagrantes, a facção utiliza menores de idade (meninos e meninas) para a venda direta. Eles escondem pequenas porções de entorpecentes em sacolas plásticas nos arredores. À distância, criminosos maiores de idade dão a cobertura armados com pistolas, fuzis e até granadas. Além disso, uma rede de "olheiros" equipados com rádio-transmissores  fica na Rua Salomão Reseck  para garantir a segurança do perímetro para os criminosos.
Clientela de elite e caos no cotidiano

Os moradores relatam que o fluxo de compradores é massivo e incessante: estima-se que cerca de 300 veículos (entre carros e motocicletas) subam os morros diariamente. Impressiona a denúncia de que, entre os compradores frequentes, figuram membros e empresários de famílias tradicionais de Angra dos Reis.

O tráfego intenso transformou a rotina do bairro em um perigo constante. Motos circulam em alta velocidade, com até três ocupantes, realizando manobras perigosas ("dando grau"). Assustadas, as famílias já não permitem que as crianças brinquem nas calçadas. Além disso, o fluxo de carros com vidros totalmente escuros por películas (insulfilm) e fechados gera ainda mais sensação de insegurança.

Moradores clamam por socorro: "SOS Caixa D'água e Morro do Carmo"
A comunidade destaca que o modelo atual de incursões policiais rápidas não tem sido suficiente para desarticular o bando. Assim que as viaturas descem o morro, a rotina de medo é retomada.

Eles  sugerem a utilização de viaturas descaracterizadas para surpreender a logística do crime e efetuar prisões e apreensões mais eficazes. A principal reivindicação da população de bem, no entanto, é o retorno de uma presença policial fixa e permanente (base comunitária 24 horas), medida que no passado já se mostrou eficiente para sufocar o tráfico e devolver o direito de ir e vir aos cidadãos de Angra dos Reis.