O secretário de Estado americano, Marco Rubio, anunciou nesta quarta-feira (28) em suas redes sociais que os Estados Unidos classificam oficialmente o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. A decisão, que vinha sendo gestada desde março pelo governo Donald Trump, concretiza-se dois dias após o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) se reunir com o presidente americano na Casa Branca.
Durante o encontro, realizado na última segunda-feira (26), Flávio Bolsonaro entregou a Trump um dossiê com dados que apontam que a totalidade dos brasileiros — "1 a cada 4", na expressão usada pelo senador — vive em comunidades sob domínio direto ou indireto das facções criminosas. A viagem foi articulada pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) junto a aliados ideológicos do presidente americano.
A designação como Organização Terrorista Estrangeira (FTO, na sigla em inglês) impõe sanções financeiras severas, proíbe qualquer cidadão ou entidade americana de fornecer apoio material aos grupos e autoriza o Departamento do Tesouro a congelar ativos vinculados às facções em jurisdição americana. A medida também amplia o escopo de atuação de agências como o FBI e a DEA em investigações transnacionais envolvendo o crime organizado brasileiro.
O governo brasileiro tentou barrar a classificação desde que os primeiros sinais surgiram, em março. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou por telefone com Rubio em mais de uma ocasião, argumentando que a medida poderia abrir precedentes para intervenções unilaterais na região. Diplomatas brasileiros manifestaram preocupação de que a classificação fosse usada para justificar operações militares americanas na América do Sul, a exemplo dos bombardeios a embarcações na Colômbia e Venezuela sob o pretexto de combate ao narcotráfico.
Deputados democratas também enviaram carta a Rubio no início de maio alertando que a designação seria "contraproducente" e poderia prejudicar as relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos. O documento foi encaminhado às vésperas do encontro entre Lula e Trump em Washington. A pressão, contudo, não foi suficiente para frear a decisão.