Os eleitores fluminenses se preparam para uma decisão crucial nas urnas em 4 de outubro de 2026. Neste pleito, o Rio de Janeiro definirá dois novos representantes para o Senado Federal, com um total de 16 candidatos disputando as duas cobiçadas cadeiras. Cada eleitor terá a oportunidade de exercer dois votos para o Senado, destinados a candidatos diferentes, para mandatos de oito anos.
A renovação de dois terços do Senado Federal é a razão pela qual os eleitores terão dois votos neste ano. Com cerca de 12,8 milhões de eleitores, o estado do Rio de Janeiro assistirá a uma mudança significativa em sua bancada. Atualmente, o Rio é representado por Romário (PL), Carlos Portinho (PL) e Flávio Bolsonaro (PL). Os mandatos de Portinho e Flávio encerram-se em janeiro de 2027, com Portinho buscando a reeleição e Flávio Bolsonaro concorrendo à Presidência da República.
O Papel Fundamental de um Senador
Diferentemente da Câmara dos Deputados, que representa a população, o Senado Federal tem como função primordial a representação dos estados. Por essa razão, cada unidade federativa, independentemente de seu tamanho populacional, elege três senadores. Senadores e deputados federais atuam em conjunto na elaboração de leis e na fiscalização do Poder Executivo.
Contudo, o Senado possui atribuições exclusivas de grande peso para a governança do país. Cabe aos senadores, por exemplo, a responsabilidade de aprovar ou rejeitar indicações para cargos estratégicos como ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), tribunais superiores, embaixadores, Procurador-Geral da República e a presidência do Banco Central. Além disso, o Senado é o órgão responsável por estabelecer limites para as dívidas da União e dos estados, bem como por julgar determinadas autoridades dos Poderes Executivo e Judiciário.
Conheça os Candidatos e Suas Propostas para o Rio
A seguir, apresentamos um panorama dos principais postulantes ao Senado pelo Rio de Janeiro e suas propostas mais relevantes:
- Benedita da Silva (PT): A deputada federal de 84 anos, com vasta trajetória política, defende o fim da escala 6x1 (propondo 5x2), uma reforma do Judiciário com mandato de 12 anos para ministros do STF e a criação de um código de ética. Na segurança, propõe a PEC da Segurança Pública, com atuação conjunta entre União, estados e municípios, e uma política de cuidado voltada às mulheres.
- Carlos Jordy (PL): O deputado federal de Niterói, 44 anos, ex-líder da oposição, propõe a redução de impostos para empresas que investem em qualificação profissional. Na segurança, defende classificar integrantes de facções como terroristas, acabando com a progressão de regime, liberdade condicional e saidinha para líderes. Jordy também propõe o impeachment de ministros do STF, o fim das decisões individuais e mandato fixo para membros da Corte.
- Carlos Portinho (PL): Senador em busca da reeleição, 53 anos, defende anistia aos presos de 8 de janeiro e abertura de processos de impeachment contra ministros do STF. É autor da PEC 45, que propõe a indicação de ministros do Supremo pelo próprio Judiciário. Na economia, propõe aumentar o limite do MEI e desonerar a folha de empresas. Na segurança, quer classificar autores de ataques como narcoterroristas e reduzir a maioridade penal.
- Helio Secco (Missão): Biólogo, professor e empreendedor de 37 anos, seu plano legislativo foca no combate à corrupção, segurança pública, liberdade econômica, meio ambiente e ciência. Afirma que mais da metade das emendas de livre escolha seria destinada à segurança pública no Rio.
- Luciano Mattos (PRTB): Ex-procurador-geral de Justiça do Rio, defende na segurança pública a atuação integrada de diferentes órgãos, fortalecimento da investigação policial e o uso de câmeras corporais por policiais. Sobre o STF, propõe idade mínima de 60 anos para ingresso, limites às decisões individuais e novas regras para pedidos de impeachment.
- Luiz Eugênio (PCO): Metalúrgico aposentado, 63 anos, defende a unificação dos trabalhadores das estatais contra privatizações, salário mínimo de R$ 7,5 mil, jornada de 35 horas semanais e reestatização da Petrobras. Na segurança, propõe a “dissolução da Polícia Militar e de todo aparato repressivo” do estado.
- Marcelo Crivella (Republicanos): Ex-senador, ex-ministro e ex-prefeito do Rio, 68 anos, propõe mudar a fórmula do Fundo de Participação dos Estados para aumentar os recursos do Rio e acabar com a emenda Pix. Na segurança, defende o Estatuto da Segurança Privada. Para o STF, propõe nova sabatina de ministros a cada quatro anos e castração química para reincidentes em crimes sexuais.
- Marcos Dias (Podemos): Vereador do Rio, 54 anos, propõe rever renúncias fiscais e direcionar incentivos ao pequeno empreendedor. Na segurança, defende a integração de todas as polícias. Para o STF, propõe mandato de oito anos e prioridade para juízes de carreira, escolhidos por lista tríplice.
- Michelly Xavier (UP): Advogada e ativista, criada na Vila Operária, em Duque de Caxias, suas bandeiras incluem a emancipação das mulheres, direito à moradia, defesa do meio ambiente e combate à exploração dos trabalhadores.
- Monica Benicio (PSOL): Vereadora do Rio, 40 anos, viúva de Marielle Franco, defende orçamento continuado para universidades federais e auxílio estudantil. Na saúde, propõe concursos públicos e valorização dos profissionais do SUS. Defende o fim da escala 6x1, direitos para trabalhadores de aplicativos e, na segurança, colaboração entre União, estados e municípios.
- Ó Clemente (Democrata): Servidor público aposentado, defende que os ministros do STF sejam escolhidos por votação popular, a partir de uma disputa aberta a candidatos com conhecimento jurídico comprovado e reputação ilibada, além de mudanças no teto salarial do serviço público.
Com uma gama tão diversa de perfis e propostas, a eleição para o Senado no Rio de Janeiro promete ser um dos pontos altos do pleito de 2026, exigindo dos eleitores uma análise cuidadosa para definir os representantes que atuarão em Brasília pelos próximos oito anos.