Uma história de superação e dedicação à vida selvagem teve um final feliz na última sexta-feira (8), quando três animais silvestres – duas corujas-murucututu e um filhote de gambá-de-orelha-preta – foram devolvidos à natureza. Após meses de intensos cuidados e reabilitação, os bichos foram soltos na Reserva Ecológica Estadual da Juatinga (Reej), em Paraty, na Região da Costa Verde, em uma ação coordenada por técnicos do Instituto Estadual do Ambiente (Inea).
As duas corujas-murucututu (Pulsatrix koeniswaldiana) passaram mais de quatro meses em recuperação no Centro de Reabilitação de Animais Silvestres de Mambucaba (CRAS). As aves chegaram à instituição em outubro e dezembro de 2025, ainda filhotes, uma delas resgatada por guarda-parques do Inea com desidratação e parasitas. No CRAS, receberam cuidados intensivos e acompanhamento especializado, essenciais para seu desenvolvimento e preparação para o retorno ao habitat natural.
O processo de reabilitação das corujas foi meticuloso e dividido em etapas cruciais para a espécie:
- Ambiente Controlado: Inicialmente, foram mantidas em um espaço que simulava as condições de um ninho, garantindo conforto, segurança e adaptação.
- Viveiro Externo Reduzido: Em seguida, foram transferidas para um viveiro menor, onde tiveram contato com estímulos naturais e puderam fortalecer gradualmente a musculatura.
- Recinto de Grandes Proporções: Na fase final, as aves foram para um recinto maior, recebendo treinamentos de voo, condicionamento físico e prática de caça, habilidades vitais para a sobrevivência autônoma.
Já o filhote de gambá-de-orelha-preta (Didelphis aurita) tem uma história de resiliência comovente. Ele foi resgatado junto com outros oito irmãos após sua mãe ser tragicamente atropelada na estrada. A sobrevivência dos filhotes foi possível porque estavam protegidos no marsúpio materno (bolsa abdominal) e foram rapidamente levados ao CRAS.

Por serem muito pequenos, os gambás receberam cuidados intensivos neonatais, que incluíram alimentação assistida, controle térmico e monitoramento constante para adaptação gradual à vida independente. Os técnicos do CRAS têm liberado os animais à medida que atingem as condições físicas ideais para viverem sozinhos na natureza.
A soltura desses animais não apenas representa um sucesso no trabalho de reabilitação do Inea e do CRAS, mas também reforça a importância da preservação da fauna silvestre e dos ecossistemas da Costa Verde, permitindo que essas espécies continuem a desempenhar seu papel vital na biodiversidade local.