Superação. Essa é uma das palavras que melhor definem o universo das ultramaratonas. Mais do que percorrer longas distâncias, os atletas desafiam os próprios limites físicos e mentais em busca de objetivos que, muitas vezes, pareciam impossíveis.
Foi nesse cenário que o atleta Eduardo Reis da Rocha, de 50 anos, conhecido como Eduardo Pezão, escreveu um novo capítulo de sua história no esporte. Morador de Angra dos Reis há 35 anos, ele entrou para a lista de ultramaratonistas do município ao completar, no último domingo (30), sua primeira prova acima da distância tradicional de uma maratona.
Pezão participou da Corrida Desafio Conquistar Trail Run (DCTR) 2026, realizada na Serra do Matoso, em Itaguaí (RJ). O desafio deste ano contou, pela primeira vez, com a distância de 55 quilômetros, justamente a escolhida pelo atleta angrense.
Eduardo completou o percurso em 8h40min, garantindo a sétima colocação na prova. A largada aconteceu na região do Clube do Cavalo, na Raiz da Serra, e os corredores enfrentaram um percurso considerado exigente, com subidas íngremes, trechos de lama, terra batida e contato direto com a natureza.
A competição manteve a tradição de reunir atletas em um dos cenários de trail run mais desafiadores da Costa Verde. Além dos 55 quilômetros, a edição de 2026 contou com provas de 3 km, 5 km e 21 km.
Um novo desafio
A ultramaratona é caracterizada por provas com distância superior aos 42,195 quilômetros de uma maratona tradicional. As competições podem apresentar diferentes percursos, chegando a distâncias de 100, 160 quilômetros ou ainda mais, com provas que podem durar muitas horas e, em alguns casos, ultrapassar um dia de duração.
Para Eduardo Pezão, completar os 55 quilômetros teve um significado que vai muito além da classificação.
Natural de Barra Mansa, Eduardo vive em Angra dos Reis há 35 anos. Morador da Praia do Machado, em Jacuacanga, ele é casado com Alessandra Cabral e pai de dois filhos, Igor e Irve.
A corrida entrou definitivamente em sua vida há cerca de dez anos. Desde então, o esporte passou a representar não apenas uma atividade física, mas também uma importante ferramenta de transformação pessoal.
Após enfrentar perdas familiares recentes, Eduardo conta que passou por um período difícil, que afetou profundamente seu estado emocional. Foi na corrida que encontrou forças para seguir em frente.
Para ele, o esporte foi fundamental para recuperar a vontade de viver, trazendo novamente felicidade, disciplina e motivação para enfrentar os desafios do dia a dia.
Do futebol para as trilhas
Antes de se dedicar às corridas, Eduardo Pezão teve uma trajetória ligada ao futebol. Em Barra Mansa, atuava como zagueiro pela Associação Atlética Goiabal.
Já em Angra dos Reis, participou de campeonatos e partidas em campos tradicionais do município, como os de Monsuaba e Camorim. Ele também guarda boas lembranças das partidas de futebol nas areias da Verolme, além dos encontros esportivos daquela época.
Entre as memórias que carrega está a lembrança do saudoso José Carlos da Guia, figura que marcou aquele período de sua vida esportiva.
Hoje, porém, a bola deu lugar às trilhas, estradas e longas distâncias. O foco de Eduardo é exclusivo nas corridas.
A conquista na Serra do Matoso representa, assim, muito mais do que uma medalha ou uma posição no resultado final. Aos 50 anos, Eduardo Pezão passa a integrar o grupo de ultramaratonistas de Angra dos Reis e mostra que os limites podem ser constantemente desafiados — um quilômetro de cada vez.