Uma ação integrada entre a 166ª DP (Angra dos Reis), do  Setor de Inteligência (P2) do 33º  BPM e de Agentes Municipais de Segurança de Angra dos Reis deflagrou a "Operação Pirata". A força-tarefa desarticulou uma organização criminosa armada especializada em assaltos a embarcações de passeio na Baía da Ilha Grande e áreas costeiras da região. A operação obteve êxito na prisão em flagrante de cinco integrantes da estrutura delituosa, alcançando desde os executores operacionais dos roubos até os operadores financeiros responsáveis por emprestar contas bancárias para lavagem de valores e receptadores do material subtraído.

As investigações já vinham avançando a partir de um crime com o mesmo modus operandi praticado em 21 de julho de 2026. Na final da tarde do dia 19 de agosto, a quadrilha voltou a agir, abordando uma lancha com ocupantes,  entre eles uma bebê de 6 meses, nas proximidades da Praia do Laboratório/Água Quente. Armados com revólver e pistola e utilizando um jet ski, os criminosos mantiveram as vítimas sob ameaça por cerca de 1h30min, roubando joias, celulares e exigindo diversas transferências via PIX que ultrapassaram R$ 50 mil.

Após intenso trabalho de inteligência e monitoramento em campo, os agentes rastrearam um dos celulares roubados e cruzaram informações sobre a venda de joias e saques bancários no Centro de Angra dos Reis, culminando na captura de todos os envolvidos e na apreensão do revólver utilizado no assalto.

Segundo a Polícia Civil, Marcos Vitor Dos Santos Avelar, 22 anos,  era  o executor e liderança operacional da quadrilha. Ele teria atuado diretamente na invasão armada da lancha e no terrorismo psicológico contra as vítimas durante o assalto no mar. Responsável por comercializar as joias roubadas e articular as contas de depósito. No momento da abordagem, tentou fugir a pé pelo Centro de Angra e entrou em luta corporal com um policial civil, sendo contido e preso. Responde por roubo majorado pelo concurso de pessoas, emprego de arma de fogo e restrição de liberdade das vítimas, resistência e associação criminosa.

Kauan Luccas Tavares da Conceição, 22 anos, era  executor e piloto. Tido pela polícia como coautor direto das ações em mar, atuava como piloto do jet ski utilizado no cerco e na abordagem às embarcações das vítimas. Ameaçou os passageiros com arma de fogo e participou ativamente do roubo de pertences e da extorsão via PIX. Responde por roubo majorado e associação criminosa.

Gabriel Carreira Da Silva, 21 anos, por sua vez fazia o empréstimo e guarda de armamento. A polícia informou que teria  atuado como partícipe do grupo criminoso ao receber o revólver utilizado no assalto logo após a fuga da dupla. Escondeu a arma de fogo em um buraco no muro de sua residência a pedido de Marcos Vitor, com o objetivo de ocultar a prova do crime. Responde por roubo majorado c/c art. 29 do Código Penal.

Wesley dos Santos Pacheco De Oliveira, 21 anos, é apontado pela polícia como sendo o  operador financeiro e o apoio logístico da quadrilha. Para a polícia mesmo sabendo da origem ilícita dos valores, forneceu sua conta bancária pessoal para o recebimento de transferências PIX extorquidas das vítimas, mediante promessa de compensação financeira. Também forneceu auxílio logístico, acompanhando o irmão Marcos Vitor até o comércio de ouro e ao banco para a realização dos saques. Responde pelo crime de receptação.

Existe ainda  uma mulher de 58 anos,  que é tida pela polícia como receptadora qualificada. A polícia revelou que ela era funcionária de uma loja de compra e venda de ouro no Centro de Angra. Revelou que ela adquiriu no exercício de sua atividade comercial as alianças roubadas das vítimas pelo valor de R$ 3.190,00. Em interrogatório, confessou que já havia comprado do mesmo criminoso, em ocasião anterior, joias avaliadas em R$ 16.000  fruto de roubo anterior. Responde por receptação qualificada.

A Polícia Civil representou pela conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva dos executores e do guardião do armamento (Marcos Vitor, Kauan Luccas e Gabriel), garantindo que permaneçam reclusos à disposição da Justiça para a manutenção da ordem pública nas vias marítimas da região.

Os agentes frisaram que as investigações e monitoramento da área de Angra dos Reis continuam com a finalidade de impedir qualquer ilícito seja na terra ou no mar. Denúncias anônimas podem ser realizadas pelo telefone 0300-253-1177. O sigilo é garantido.