decidirá como será escolhido o governador do Rio de Janeiro para o mandato-tampão: por eleição direta, nas urnas, ou indireta, pela Assembleia Legislativa (Alerj). O caso está suspenso desde abril, quando o placar estava em 4 a 1 favorável ao pleito indireto, por pedido de vista do ministro Flávio Dino, que devolveu o processo em junho.

A disputa começou em março, quando Cláudio Castro (PL) renunciou um dia antes de ser condenado pelo TSE por abuso de poder político e econômico no caso Ceperj e declarado inelegível. Como a renúncia precedeu a cassação, a Corte Eleitoral entendeu que não cabia nova eleição direta e definiu que a Alerj escolheria o sucessor — posição questionada pelo PSD, de Eduardo Paes, que pede voto popular.

A disputa judicial também escancarou as divisões internas do Supremo e azedou a relação entre a Corte e a Justiça Eleitoral. Interlocutores do PL, partido do presidenciável Flávio Bolsonaro e de Douglas Ruas, classificaram o impasse como uma "intervenção judicial branca" do STF sobre o governo fluminense. No fim de maio, o presidente Lula entrou no debate: Cabo eleitoral declarado de Eduardo Paes, ao lado de Ricardo Couto em evento no Rio, Lula defendeu a permanência do interino até as eleições, afirmando que a Alerj poderia eleger "um miliciano" caso escolhesse o governador-tampão.

Em tom de crítica à demora do julgamento, uma fonte que atua no meio jurídico diz que a sensação é de que o judiciário está trabalhando para eleger Eduardo Paes principal adversário de Douglas Ruas do PL e de Flávio Bolsonaro.

Enquanto a Corte não decide, Ricardo Couto governa interinamente o estado, graças a uma liminar de Cristiano Zanin que congelou a linha sucessória. Nos bastidores, porém, a aposta é que um novo pedido de vista — possivelmente de Alexandre de Moraes ou Gilmar Mendes — pode adiar mais uma vez a decisão, empurrando o desfecho para depois das eleições de outubro, quando os fluminenses escolherão diretamente o próximo governador para o mandato que começa em janeiro de 2027.