Moradores da Rua Resende, no bairro Campo Belo, em Angra dos Reis (RJ), estão ficaram sem água em casa desde a última sexta-feira, ou seja, 4 dias sem água que só chegou no feriado do dia 7. A reclamação não é nova: há anos o bairro enfrenta interrupções recorrentes no abastecimento, que, na percepção dos moradores, se intensificam em feriados e no verão. Desta vez, porém, o episódio acontece com o novo reservatório do bairro, construído com investimento de milhões, totalmente cheio.

A situação afeta inclusive residências com caixa d'água própria, que secaram diante do longo período sem fornecimento. "Estamos desde sexta-feira sem água em nossas casas, mesmo as casas com caixa d'água", relata uma moradora. A comunidade também demonstra preocupação com o risco de o reservatório cheio descer sobre o bairro — "não gosto nem de pensar", diz.

Outro ponto de revolta é o destino das quatro caixas d'água de 15 mil litros cada, prometidas em campanha eleitoral para uso emergencial. Segundo os moradores, os equipamentos nunca foram acionados, apenas vazam e acumulam água parada, atraindo mosquitos. "Temos idosos, crianças e deficientes no bairro, e essas caixas nunca são utilizadas", desabafa a moradora.

O contraste entre a estrutura e o desabastecimento chama atenção. O reservatório do Campo Belo integra o Programa Mais Água, tocado pela Prefeitura em parceria com o SAAE — responsável por cerca de 90% do abastecimento da cidade — e anunciado como o maior conjunto de investimentos em água da história do município. Em agosto de 2025, as obras foram vistoriadas pelo poder público, que destacou o fortalecimento do sistema de distribuição no bairro. Ainda assim, os moradores seguem sem água com o reservatório cheio, o que reforça a desconfiança de sempre. "Nossa desconfiança é que exista algum desvio, pois não é possível", afirmam.

A comunidade, no entanto, quer respostas concretas do SAAE e da Prefeitura: entender por que a água é desligada — especialmente com o reservatório da rua cheio — e ver as caixas emergenciais finalmente cumprindo a função prometida. Sem previsão de normalização, moradores seguem dependendo de baldes e da solidariedade de vizinhos, na expectativa de que o investimento anunciado como solução definitiva não se torne mais uma promessa esquecida.