A direção nacional do Partido dos Trabalhadores aprovou nesta semana uma resolução que retira do diretório fluminense o poder de definir os suplentes da candidatura de Benedita da Silva ao Senado, gerando uma crise aberta no PT do Rio de Janeiro. A decisão, tomada por 19 votos favoráveis e três abstenções, transfere para o comando nacional a "competência exclusiva" para indicar, definir e homologar os nomes da primeira e segunda suplências da chapa.

A medida provocou reação imediata da Executiva Estadual do PT-RJ, que divulgou nota pública classificando a intervenção como "autoritária" e denunciando o que chamou de atropelo ao debate interno.

"É uma decisão autoritária, tomada antes mesmo da realização do encontro estadual e sem respeitar o debate político que vinha sendo construído no Rio de Janeiro. A militância, os dirigentes e as instâncias estaduais do partido foram simplesmente atropelados", diz trecho da nota oficial do diretório estadual.

Disputa expõe divisão interna

O racha já vinha se desenhando desde abril, quando o PT fluminense oficializou a pré-candidatura de Benedita ao Senado no dia 18, com apoio ao governador Eduardo Paes (PSD). A composição da chapa, no entanto, tornou-se o epicentro do conflito.

Benedita indicou como suplentes o ex-presidente da Casa da Moeda, Manoel Severino, e o cantor e pastor Kleber Lucas — nomes contestados pelo prefeito de Maricá e vice-presidente nacional do PT, Washington Quaquá. Ele classificou a indicação de Manoel Severino como "envolvido em escândalos" e acusou Benedita de tentar transformar a candidatura em uma "capitania hereditária".

Na terça-feira (12), Quaquá comunicou a correligionários que retirava o apoio à pré-candidatura de Benedita, aprofundando a crise. Em pesquisa Paraná Pesquisas divulgada em abril, Benedita liderava as intenções de voto ao Senado no Rio com 30,4%, seguida pelo ex-governador Cláudio Castro (PL), com 29,9%.

Risco para a aliança com Lula e Paes

A nota da Executiva do PT-RJ alerta que a decisão nacional não apenas "racha o PT do Rio" como também "dificulta imensamente a já difícil eleição de Benedita ao Senado". O texto ainda adverte que a medida "joga a perspectiva de escândalos evitáveis no colo da campanha do presidente Lula e do governador Eduardo Paes".

O alerta não é trivial. Benedita deve fazer campanha ao lado de Paes, que disputa a reeleição ao governo do estado com apoio do PT — e ambos caminham juntos na aliança nacional pela reeleição do presidente Lula. Uma crise exposta na chapa ao Senado pode contaminar o palanque fluminense.

"Quem acredita na unidade partidária precisa entender que unidade não se impõe. Unidade se constrói com respeito político, debate democrático e participação das instâncias estaduais", conclui a nota do PT-RJ.

O partido não tem encontrado, até o momento, uma saída que costure a unidade em torno do nome de Benedita. A definição final sobre os suplentes caberá agora à Executiva Nacional, em meio a um cenário de desgaste que promete se arrastar até a convenção partidária.

Resumindo

  • Direção nacional do PT assumiu o controle da escolha dos suplentes de Benedita da Silva ao Senado, gerando crise com o diretório do Rio
  • Executiva estadual chamou a decisão de autoritária; Washington Quaquá retirou apoio à pré-candidatura
  • O racha expõe divisão interna que pode contaminar as alianças com Lula e Eduardo Paes no estado
  • Benedita lidera pesquisas para o Senado no RJ, mas a crise ameaça a viabilidade da campanha