O Rio de Janeiro emerge como um protagonista no cenário nacional de transplantes de órgãos, consolidando sua posição como o segundo estado com a maior taxa de autorizações familiares para doação. Dados recentes do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), divulgados pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), colocam o estado em destaque, superando a média nacional e demonstrando um avanço significativo no sistema público de saúde.
Com um impressionante índice de 67% de respostas positivas das famílias, o Rio de Janeiro se posiciona ao lado do Paraná e logo atrás de Santa Catarina, que registrou 68% de autorizações. Este número expressivo supera a média nacional, que é de 55%, e reflete o trabalho árduo e estratégico do Governo do Estado.
Além da alta taxa de autorização, o estado também apresenta uma média de 22,4 doadores por milhão de população (pmp), um valor superior à taxa nacional de 20,3 doadores, evidenciando a eficácia das ações de identificação e captação de potenciais doadores.
“A doação de órgãos simboliza a continuidade da vida, e por isso temos trabalhado para ampliar os transplantes. Temos tecnologias de ponta e profissionais preparados para acolher as famílias enlutadas. Também fortalecemos as Organizações de Procura de Órgãos que atuam em todo o estado e as UTIs onde estão os potenciais doadores. Tudo isso é resultado da estratégia delineada no Plano Estadual de Doação e Transplantes”, explica o secretário de Estado de Saúde, Ronaldo Damião.
O sucesso do Rio de Janeiro é atribuído a uma série de iniciativas estratégicas, incluindo a ampliação da rede hospitalar, o fortalecimento das equipes especializadas e um foco intenso na qualificação profissional. Atualmente, o estado conta com mais de cem Comissões Intra-hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT).
Essas comissões desempenham um papel crucial na identificação de potenciais doadores e, principalmente, no acolhimento e suporte às famílias. As equipes são rigorosamente treinadas para conduzir conversas sensíveis, utilizando técnicas de escuta ativa e oferecendo apoio durante o delicado processo do luto. O contato com os familiares inicia-se antes mesmo do diagnóstico de morte encefálica, buscando conscientizar sobre a imensa importância da doação de órgãos – um gesto que tem o potencial de salvar até oito vidas.
“A decisão da família é soberana quanto à doação de órgãos. Por isso, é fundamental comunicar aos familiares o desejo de ser doador. Temos trabalhado com campanhas educativas e divulgação de exemplos positivos para ampliar a conscientização sobre a importância dos transplantes e reforçar a grandeza desse gesto que permite ressignificar a dor da perda”, destaca Alan Melquíades, diretor do RJ Transplante.
A consolidação do Rio de Janeiro como referência em transplantes é um testemunho do compromisso do estado com a vida e a saúde de seus cidadãos, pavimentando o caminho para um futuro com mais esperança para milhares de pacientes que aguardam por um transplante.