É muito difícil achar alguém em Angra que não conheça essa cara. Silvio Matos, o Gibi, 54 anos. Uma pessoa que a gente admira de imediato, uma figura icônica, que todo mundo conhece, seja pelo seu carisma, sinceridade, e grande capacidade de fazer amigos. Gibi provou que quando a gente quer alguma coisa, se consegue. Ele deu uma guinada na sua vida de 360 graus pensando em ter hábitos muito mais saudáveis. 

E foi por meio de mudanças no seu dia a dia, que ele, com muita força de vontade, reconduziu sua caminhada tendo a atividade física e alimentação equilibrada, como regras, em busca de uma qualidade de vida muito melhor. Angrense, nascido no Morro da Caixa D’Água, três filhas e três netas, Gibi sempre teve uma vida de convivência forte com os moradores da comunidade, e lembra do quanto foi importante essa relação na infância, adolescência e juventude. 

Era um dia a dia especialmente ligado ao futebol, no conhecido Campo da Bolívia, nos torneios e peladas organizadas pelo principal responsável pelo lazer para a garotada no Morro da Caixa D’Água, Vandi Queiroz. Gibi, lembra também, da relevância do Bloco da Jaqueira para a vida da comunidade, ideia também do saudoso amigo, que levou cultura para os moradores, que sempre desciam o morro com muita alegria por ter o seu carnaval. E também uma juventude marcada pelas peladas nos campos do Aterro do São Bento. 

“Não esqueço da presença da Rádio Angra AM, no começo dos anos 90, transmitindo uma final de torneio no Campo da Bolívia, com o Chumbinho narrando o jogo e Beto Carmona nas reportagens. Essa transmissão ficou marcada na história do campo e da comunidade do Morro do Carmo. E o samba também foi algo especial para os moradores com o Bloco da Jaqueira criado pelo Vandi Queiroz. Hoje, a agremiação foi resgatada e tem à frente o amigo Renan Lima, trazendo de volta essa alegria para o Morro da Caixa D´Água”, disse Gibi.

A guinada de 360 graus para vida saudável e de atleta de Gibi

A virada na vida de Gibi fez ele ligar o alerta, quando subindo o Morro do Carmo, onde mora até hoje, sentiu muito cansaço e parou umas três vezes para respirar, e viu que algo estava errado. Foi encarar a balança, se pesou, e viu que estava com 120 kg. Na época, ele comia oito fatias de pizza em um único dia, dois litros de refrigerante, sentado no sofá, vendo TV, comendo 1 kg de macarrão, e viu que tinha que mudar tudo na sua rotina sedentária.  

Quem o chamou para correr, fazer uma atividade física, foi o amigo André Castilho, seu vizinho no morro, que o incentivou a ter o hábito nas corridas com ele, mas Gibi recusou a princípio, mas depois acabou aceitando. Ele continuou na corrida, mas o amigo, foi quem desistiu. 

“Na época da pandemia da COVID, nos anos 2020, as academias estavam fechadas, e aí tivemos que ir para a rua e fazer corridas. Mas quem teve grande paciência comigo foi o professor Marcondes Moreira. Tanto na academia como nas corridas, ele foi fundamental no incentivo e nos meus treinamentos. E aí, começamos a fazer corridas com senhoras acima de 60 anos, e eu me lembro que não aguentava e voltava sempre para a academia andando”, lembrou Gibi. 

Em todo o processo, ele relembra do amigo Alessandro Inácio, um dos melhores corredores da cidade, que lhe deu muita força para seguir na corrida e não desistir, assim como, no estimulo a sua amiga Edna Rodrigues, outra grande corredora de sucesso hoje em Angra. 

A mudança veio com a agenda de acordar de segunda a sábado às 4 e meia da manhã, faça chuva ou sol, para fazer seus treinamentos, com descanso aos domingos, que, normalmente, são preenchidos com as corridas que disputa. Em seis anos, Gibi perdeu 40 kg e hoje tem 80 kg. Ele se orgulha ao olhar para as prateleiras instaladas no seu local de trabalho e ver que acumula 180 medalhas, cerca de 50 troféus, dezenas de tênis e ver na sua trajetória de virada de vida, a participação em mais de 100 corridas. Ele tem se destacado no cenário da corrida angrense e também em competições fora de Angra, na sua categoria, de 50 a 54 anos, subindo nos pódios das provas, e às vezes beliscando medalhas na categoria geral masculina e também na categoria de 50 a 59 anos, em eventos específicos. 

“Mas é claro, que a gente consegue pódios no geral, chegando entre os cinco primeiros colocados, quando não temos concorrentes fortes, de corredores de alto nível e aí, nós abocanhamos algumas medalhas. Mas, normalmente, pego entre o sexto e novo lugar. Minha rotina, hoje, é de uma série de treinamentos variados de segunda a sábado de 12 km, com uma hora de atividade, e também alterno com tiros rápidos, de velocidade, com cinco tiros de 1km, ou oito de 600 metros e ainda tiros de 400 metros”, concluiu Gibi, que não esconde sua alegria da vida que tem hoje.