O candidato do Partido Liberal (PL) ao Governo do Rio de Janeiro, Douglas Ruas, defendeu a ocupação permanente do Estado em comunidades fluminenses, criticando a falta de continuidade após grandes operações policiais. Durante sabatina com veículos de comunicação de renome, Ruas afirmou que, se eleito, seu governo implementará um modelo onde "o Estado vai entrar e não vai sair mais".

A declaração foi feita ao analisar a operação que resultou em 122 mortes nos complexos do Alemão e da Penha, em outubro do ano passado. Segundo o candidato, a ação representou uma oportunidade desperdiçada para ampliar o acesso da população aos serviços públicos. "O grande erro do estado naquele dia foi não permanecer. Tem que fincar uma bandeira ali e garantir que o crime organizado não manda em um palmo desse território", enfatizou Ruas.

Para o enfrentamento da criminalidade, Ruas prometeu a criação de um gabinete de ações integradas em sua gestão. Ele comparou a situação do Rio de Janeiro a um "cenário de guerra", exigindo reconhecimento e combate direto ao crime organizado para "devolver o Rio à população".

Fim das Gratificações por Mortes e Novo Modelo de Bônus Policial

Um dos pontos centrais da sua proposta de segurança pública é a oposição ao modelo de gratificação conhecido como "Faroeste", que beneficiava policiais por mortes em serviço. Douglas Ruas se manifestou contra esse tipo de benefício e propôs um novo sistema de bônus baseado na avaliação de desempenho dos agentes.

Os principais indicadores para essa nova gratificação seriam:

  • A retomada de territórios dominados pelo crime organizado.
  • A garantia do direito de ir e vir da população.
  • A promoção da liberdade econômica nas áreas pacificadas.

De acordo com o candidato, policiais que atuarem em regiões onde essas metas forem alcançadas seriam recompensados. Ruas também defendeu a não punição de policiais que agem em legítima defesa, embora tenha sido questionado sobre a responsabilização em casos de erros, como o incidente no Jardim Catarina, em São Gonçalo.

A sabatina, que contou com a participação de jornalistas e editores do Jornal O Globo, Extra, Valor e CBN, faz parte de uma série de entrevistas com os pré-candidatos ao governo do estado, abordando temas cruciais para o futuro do Rio de Janeiro.