A redação do Jornal A Cidade recebeu denúncias sobre mensagens compartilhadas em grupos de WhatsApp relacionados a estudantes de Medicina da IDOMED, em Angra dos Reis. Segundo os denunciantes, as conversas contêm comentários depreciativos e preconceituosos direcionados a beneficiários do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), bolsistas e pessoas de baixa renda, além de manifestações envolvendo discussões políticas e moradores da região Nordeste e de apologia ao nazismo, que neste caso é crime. 

O material encaminhado à reportagem reúne capturas de conversas dos grupos identificados como “UNIÃO MEDANGRA” e “Turma X”. Entre as mensagens apresentadas estão frases como “Não quero ninguém vendendo rifa pra formar, nem trufa pra pagar faculdade”.


Segundo os denunciantes, os trechos demonstrariam ironias e comentários depreciativos sobre estudantes que recorrem ao financiamento estudantil ou buscam outras formas de arrecadar dinheiro para custear a formação acadêmica.


De acordo com informações recebidas pela reportagem, os grupos reuniriam alunos e ex-alunos que já atuam em consultórios, clínicas e hospitais da região. Os relatos também mencionam a remoção de participantes dos grupos e levantam dúvidas sobre possíveis relações entre as exclusões e os desentendimentos registrados nas conversas.

As fontes afirmam que os episódios teriam ocorrido antes e depois do período eleitoral. No entanto, a autenticidade, as datas e o contexto integral das mensagens, assim como o vínculo dos participantes com a faculdade, ainda precisam ser verificados.

As denúncias levantam questionamentos sobre o respeito, a convivência e o tratamento dispensado a estudantes em situação de vulnerabilidade financeira no ambiente universitário. Informamos que não publicaremos os “prints”  das ofensas para não expor os envolvidos.  Informamos ainda, que procurada por nossa reportagem a IDOMED emitiu uma nota que segue na íntegra: 

 

“A instituição informa que, até o momento, não identificou manifestações ou reclamações formais de alunos sobre o assunto. A Faculdade reafirma seu compromisso com a promoção de um ambiente acadêmico pautado pelo respeito, pela inclusão e pelo acolhimento, no qual não há espaço para preconceito ou discriminação. A instituição entende que a universidade é um espaço de aprendizado, desenvolvimento e respeito mútuo.

A instituição acredita que a diversidade é um valor fundamental para a formação acadêmica e profissional. Em Medicina, todos os estudantes devem ter a oportunidade de desenvolver seu potencial, independentemente de sua origem ou condição socioeconômica”, declarou. 

Depois que a matéria foi divulgada os alunos alvos do preconceito estariam sofrendo ameaças de represálias na faculdade.  Eles receberam a informação de que seus rostos, nomes e período que estão cursando estão sendo “marcados”. A ameaça é de  que eles  tenham negadas oportunidade de emprego e até mesmo de estágio extracurricular em na Costa Verde. Além de tristes, agora eles também  estão assustados com as ameaças.