Paraty, na Costa Verde do Rio de Janeiro, receberá uma produção do cinema africano durante o Festival Internacional de Cinema de Paraty 2026. O filme angolano Kahitu, dirigido por Alberto Botelho, foi selecionado para integrar a programação internacional do evento, previsto para acontecer entre os dias 3 e 7 de novembro.
A participação no festival brasileiro ocorre após a produção conquistar o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa (FESTIN), realizado em Lisboa, Portugal, neste mês.
A edição de 2026 do Festival Internacional de Cinema de Paraty busca ampliar o intercâmbio cultural por meio de obras de diferentes países, aproximando o público de histórias que abordam experiências humanas, memórias coletivas e identidades culturais.
Filme aborda preconceito e tradições africanas
Com duração de 85 minutos, Kahitu conta a história de um jovem que nasce com deficiência física e cresce enfrentando dificuldades de locomoção, exclusão social e zombarias de outras crianças da comunidade onde vive.
A trama ganha novos contornos quando o protagonista engravida a jovem considerada a mais bonita da aldeia. A partir desse acontecimento, o filme explora os conflitos entre valores tradicionais, crenças sobrenaturais e mitos que influenciam o comportamento da comunidade.
A narrativa propõe uma reflexão sobre o preconceito, as relações sociais e a influência das tradições na vida das pessoas, apresentando ao público brasileiro aspectos da cultura e da realidade social angolana.
Cineasta tem trajetória reconhecida
Dirigido por Alberto Botelho, o longa-metragem é uma adaptação da obra Vozes na Sanzala, do escritor angolano Uanhenga Xitu.
O cineasta recebeu o Prêmio Nacional de Cultura e Artes de Angola, na categoria Cinema, em 2012, em reconhecimento ao conjunto de sua obra e à contribuição para o desenvolvimento da produção cinematográfica nacional.
Sua filmografia inclui trabalhos como O Amor de Mariana (2006), Encurralada (2008), Emplastros (2010) e Kahitu (2012).
A seleção do longa para o festival em Paraty amplia a presença do cinema africano na programação cultural da cidade e oferece ao público a oportunidade de conhecer uma produção que aborda questões sociais e culturais a partir da realidade angolana.