Angra dos Reis 1º de abril de 2026 – O senador Flávio
Bolsonaro (PL-RJ) reforçou sua influência na política fluminense ao anunciar,
em vídeo divulgado na quarta-feira (31/03), apoio irrestrito à pré-candidatura
do deputado estadual Douglas Ruas (PL) ao governo do Rio de Janeiro. O endosso
ocorre em um momento de turbulência institucional, com o Supremo Tribunal
Federal (STF) agendado para decidir em 8 de abril se a eleição para o
mandato-tampão será direta ou indireta, após a renúncia de Cláudio Castro (PL)
e a inelegibilidade de figuras chave da linha sucessória.
No vídeo postado nas redes sociais de Ruas, Flávio Bolsonaro
descreveu o deputado como "uma pessoa jovem, preparada, mas muito
experiente", capaz de "ajudar muito ainda o nosso Rio de
Janeiro". O apoio é dado "independentemente de qual seja a
metodologia" da eleição – direta pela população ou indireta pela
Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Ruas, em resposta, reiterou sua defesa
por eleições diretas, afirmando que "a população tenha o direito de
escolher pelo voto os rumos do nosso estado. Esse é o caminho do pleno
exercício da democracia". Ele já havia externado essa posição em 28/03.
Douglas Ruas, no primeiro mandato como deputado estadual,
acumula experiência como filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson
(desde 2020), ex-presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea, 2019-2020)
e ex-secretário de Cidades na gestão de Cláudio Castro. O PL vê nele um nome
forte da direita: o senador Bruno Bonetti (PL-RJ) declarou que o Rio é um
estado "de direita" e que o partido "não teme nenhum
adversário", prevendo apoio de 70 prefeitos. Bonetti, porém, reconhece o
desafio de "tornar Ruas mais conhecido" nacionalmente.
Movimentos sociais ligados a esquerda pressionam por
eleições diretas. Grupos como Coletivo Fala Subúrbio, Movimento Negro Unificado
(MNU) e Movimento Popular de Favelas lançaram petição online criticando a
indireta como "colocar a raposa para cuidar do galinheiro", citando
deputados beneficiados pelo esquema de fraudes no Ceperj (revelado pelo UOL). O
PDT carioca, de Leo Lupi, acionou o TJRJ pedindo voto secreto na Alerj e
reforçou: "Não faz sentido deixar uma decisão desse tamanho restrita à
Assembleia".
A crise eclodiu com a renúncia de Cláudio Castro em 23/03,
véspera de sua condenação pelo TSE por abuso de poder nas eleições de 2022
(inelegível por oito anos). Sem vice desde maio de 2025 (Thiago Pampolha, MDB,
inelegível) e com o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil),
afastado por prisão em dezembro de 2025, o Palácio Guanabara é comandado
interinamente pelo presidente do TJRJ, desembargador Ricardo Couto. O PSD, de
Eduardo Paes, acionou o STF alegando manobra de Castro para forçar indireta,
contra precedente da Corte por voto direto.
Em 27/03, o ministro Cristiano Zanin concedeu liminar
suspendendo a eleição indireta marcada pelo TSE, mantendo Couto no cargo até o
julgamento. O presidente do STF, Edson Fachin, confirmou a data para 8 de abril,
em ação do PSD. Se direta, o RJ terá eleição tampão antes de outubro (pleito
regular); se indireta, a Alerj decide. Não há decisão final até o momento
(01/04/2026), mas Zanin defendeu voto direto, divergindo da maioria inicial do
TSE.
O posicionamento de Flávio Bolsonaro e Douglas Ruas
posiciona o PL como favorito em qualquer cenário, mas o veredicto do STF pode
redefinir o tabuleiro para outubro, com impactos em pré-candidatos como Paes.