O Rio de Janeiro foi palco de um grande abalo na estrutura governamental nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026, com o governador em exercício Ricardo Couto assinando a exoneração de 31 servidores estaduais. A medida drástica ocorre poucos dias após a deflagração da Operação Sem Refino pela Polícia Federal, que investiga um suposto esquema de fraude fiscal, evasão de divisas e ocultação de patrimônio envolvendo o grupo Refit, antiga Refinaria de Manguinhos.
A Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) foi o principal alvo da "canetada" do governador, registrando 16 desligamentos. Entre os exonerados, encontram-se ocupantes de cargos de comando, como superintendências e auditorias fiscais especializadas, alguns dos quais integraram a pasta durante a gestão do ex-secretário estadual de Fazenda Juliano Pasqual, também investigado na operação. As investigações apontam que integrantes da Sefaz teriam atuado em decisões de interesse da refinaria.
A Operação Sem Refino mirou diretamente o ex-governador Cláudio Castro (PL), que foi alvo de busca e apreensão, e o próprio Juliano Pasqual. As apurações buscam desvendar um complexo esquema de favorecimento fiscal que teria beneficiado a Refit.
Além da Sefaz, outras importantes pastas do Executivo fluminense também foram atingidas pelas exonerações, demonstrando a amplitude da reestruturação. Foram registrados desligamentos em:
- Detran-RJ: 4 exonerações
- Secretaria de Saúde: 2 exonerações
- Instituto Estadual do Ambiente (Inea): 2 exonerações
- Procon-RJ: 2 exonerações
- Secretaria de Polícia Civil: 1 exoneração
- Secretaria de Planejamento e Gestão: 1 exoneração
- Rioprevidência: 1 exoneração
- Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento: 1 exoneração
- Secretaria de Infraestrutura e Obras Públicas: 1 exoneração
Em paralelo às exonerações, a gestão de Ricardo Couto, por meio da Coordenadoria Tributária de Controle Externo da Sefaz, agiu para bloquear o acesso de investigados aos sistemas de dados da pasta, visando preservar o sigilo fiscal. A Secretaria de Fazenda também determinou a abertura de processos administrativos disciplinares, uma correição extraordinária na Auditoria Especializada de Combustíveis e auditorias específicas sobre incentivos fiscais concedidos à Refit e a outras empresas citadas nas investigações.
A reestruturação na Sefaz ocorre sob a liderança do secretário Guilherme Mercês, que retornou à pasta em abril, já na gestão de Ricardo Couto. Mercês já havia ocupado o cargo durante o governo Wilson Witzel e, segundo informações, sua saída anterior teria sido motivada por discordâncias internas relacionadas a um acordo envolvendo a Refit, o que adiciona uma camada de complexidade ao cenário atual.