Em um marco significativo para a medicina fluminense, o Estado do Rio de Janeiro realizou no último sábado, 5 de setembro, o seu primeiro transplante de intestino isolado. O procedimento, considerado de alta complexidade, amplia as possibilidades de tratamento para pacientes com falência intestinal grave e posiciona o estado como referência no atendimento especializado.

A cirurgia, que representa um avanço notável na assistência especializada, foi possível graças à captação dos intestinos grosso e delgado de um doador em uma unidade pública da Região Metropolitana. Os órgãos foram transplantados em uma paciente de 40 anos, internada no Hospital Adventista Silvestre, a única unidade habilitada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no estado para realizar esse tipo de intervenção.

O diretor do Programa RJ Transplantes, da Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ), Alan Melquíades, enfatizou a importância do procedimento. “O procedimento, que é considerado complexo, amplia a capacidade da rede pública fluminense para atender pacientes com falência intestinal. Hoje, eles conseguem ser tratados e reabilitados no Estado do Rio, não sendo mais necessária a transferência”, destacou Melquíades.

Diferente do transplante multivisceral ou combinado (fígado-intestino), a modalidade isolada substitui estritamente o trato intestinal comprometido, exigindo que o fígado do receptor esteja saudável e funcionando bem. Atualmente, não há fila exclusiva para transplante de intestino isolado no Rio de Janeiro, nem pacientes aguardando por transplante multivisceral.

Mais de 750 órgãos captados em 2026

Os dados do RJ Transplantes revelam um esforço contínuo na captação de órgãos. Até o dia 8 de setembro de 2026, foram captados no estado:

  • 372 rins
  • 161 fígados
  • 29 corações
  • 24 pulmões
  • 1 intestino

O Estado do Rio de Janeiro ocupa, atualmente, o segundo lugar no país em autorização familiar para doação de órgãos, segundo o Registro Brasileiro de Transplantes. No entanto, ainda há um grande espaço para avanço. A taxa de negativa familiar para doação de órgãos no Rio de Janeiro, nos primeiros sete meses de 2026, está em torno de 38%.

“Trabalhamos diariamente para aumentar a taxa de autorização familiar. Estarmos no segundo lugar no Brasil é importante, mas podemos alcançar ainda mais e sermos, de fato, referência no país em relação à doação. Não há transplante sem doação e só temos a doação quando a família diz sim”, enfatiza o diretor-geral do RJ Transplantes.

Melquíades ressalta que o trabalho de conscientização é fundamental para que a população compreenda o processo de morte encefálica e esteja preparada para conversar sobre a possibilidade de doação, um ato de solidariedade que salva vidas. As equipes responsáveis pela abordagem das famílias recebem treinamento permanente, mas a informação precisa chegar também à população em geral.