Uma servidora pública da rede municipal de Saúde de Angra dos Reis procurou a reportagem para denunciar o que classifica como uma situação de abandono da infraestrutura de diversas unidades de saúde do município. Com mais de duas décadas de atuação em diferentes setores da rede, ela afirma nunca ter presenciado um cenário tão preocupante.

Segundo a denunciante, problemas estruturais se repetem em várias unidades, colocando em risco tanto os profissionais quanto os pacientes. Entre as situações relatadas estão infiltrações, vazamentos, mofo, falhas na rede elétrica, problemas hidráulicos e demora na realização de reparos considerados emergenciais.

De acordo com o relato, o ESF Banqueta apresenta um consultório com as paredes tomadas pelo mofo, mesmo após uma reforma realizada há menos de um ano. Ela lembra que o mofo pode causar ou agravar doenças respiratórias. Além disso, no Complexo de Saúde do Parque Mambucaba haveria diversos pontos de infiltração no teto. Já no ESF Sapinhatuba II, uma telha teria saído do lugar durante um período de chuvas, fazendo com que a água invadisse a unidade por vários dias.

A servidora afirma ainda que a parte elétrica da unidade E-multi Parque Mambucaba está pronta, mas a Superintendência de Manutenção ainda não teria solicitado à Enel a troca do medidor de energia. No CEM Centro, segundo ela, os banheiros estariam deteriorados e com constantes vazamentos.

Outro ponto da denúncia envolve o SPA de Jacuecanga, onde, segundo a servidora, o gerador de energia não funciona de forma confiável e apresenta falhas frequentes. Ela também relata que o novo endereço do CAPSi não possuiria proteção elétrica adequada e que o térreo do ESF Jacuecanga enfrenta problemas com a presença de morcegos, abelhas e até ratos.

Além dos problemas estruturais das unidades, a servidora também fez críticas à atuação da Superintendência de Manutenção. "A superintendente nunca atende a gente de imediato quando tem emergência. E, quando atende, manda um encarregado que é uma pessoa mal-educada, grossa, que não sabe falar com as pessoas, tem atitudes machistas e vive fazendo piadas racistas com os funcionários que o acompanham", relatou.

Ela disse, inclusive, que o encarregado trabalha com o filho e com o genro. "Além de virar um negócio de família, eles vão às unidades, fazem o trabalho pela metade e não retornam para terminar", afirmou.

Ainda de acordo com a denunciante, o número reduzido de profissionais de manutenção seria insuficiente para atender os cinco distritos do município. Ela afirma que, durante um período, os próprios servidores chegaram a fazer "vaquinhas" para comprar materiais básicos necessários aos reparos das unidades.

"Nesses mais de 20 anos de serviço público, nunca vi a saúde em uma situação tão caótica. Muitas vezes precisamos recorrer até a vereadores para conseguir resolver problemas emergenciais nas unidades. Quem sofre com isso são os servidores e, principalmente, a população que depende do atendimento", declarou a servidora, que pediu para não ser identificada por receio de represálias.