Na madrugada desta segunda-feira (1º de junho), criminosos
incendiaram terminais de cobrança da Taxa de Turismo Sustentável (TTS) na Vila
do Abraão, na Ilha Grande. O ato de vandalismo ocorreu no mesmo dia em que a
prefeitura de Angra dos Reis iniciou oficialmente a arrecadação do tributo, sob
forte protesto de moradores e operadores locais.
Câmeras de segurança registraram a ação de dois indivíduos vestidos de preto e com toucas ninja ateando fogo nos equipamentos. Membros do movimento "Não à Taxa!", que organizam as manifestações contrárias ao tributo, entraram em contato com a redação repudiando o vandalismo. Segundo o grupo, ações isoladas como esta prejudicam a estratégia jurídica e as mobilizações pacíficas que buscam impedir a cobrança por meio de ações civis públicas e audiências na Alerj.
A tensão no primeiro dia de cobrança também se estendeu ao mar. Barqueiros realizaram uma barreira marítima na baía do Abraão e impediram a atracação de um taxiboat pertencente à empresa do vereador Dudu do Turismo, parlamentar que votou a favor da criação da taxa. Os manifestantes desembarcaram os turistas que estavam a bordo nos barcos dos manifestantes, mas barraram a atracação da embarcação na vila.
A TTS entra em vigor após cinco meses de adiamento. Veja os valores (arredondados com a taxa de serviço):
Visita à cidade de Angra ou às ilhas: R$ 50,00, emissão válida por 30 dias
Day use nas ilhas saindo de Angra dos Reis: R$ 28,00 (até 31 de maio de 2027)
Day use nas ilhas saindo de outra cidade: R$ 50,00 (até 31 de maio de 2027)
Pernoite nas ilhas vindos de outras cidades com comprovação de pagamento no mínimo duas diárias em hospedagem regularizada no portal: R$ 50,00
Pernoite nas ilhas sem comprovante de hospedagem: R$ 100,00
As autoridades locais informaram que as investigações sobre
o ataque aos terminais já foram iniciadas. Enquanto a prefeitura defende que os
recursos serão destinados à infraestrutura e conservação ambiental, moradores e
trabalhadores — que precisam se cadastrar no portal "Viva Angra" para
isenção — prometem manter as mobilizações contra o que consideram uma violação
ao direito de ir e vir.
Fiscalização do Procon-RJ levanta novos questionamentos
A polêmica envolvendo a TTS ganhou novos capítulos nos dias
16 e 17 de maio, quando equipes do Procon-RJ realizaram uma fiscalização na
Vila do Abraão. A operação teve como foco a empresa CashPago Soluções,
contratada sem licitação para implantar o Sistema Digital de Turismo (SDT) e
operacionalizar a cobrança da taxa no município.
Durante a ação, fiscais apuraram que a empresa poderá
receber 12% de toda a arrecadação da TTS, além da possibilidade de obter
receitas adicionais por meio de transações realizadas na plataforma digital
utilizada para o controle da visitação turística em Angra dos Reis.
Segundo o Procon-RJ, embora a empresa não estivesse
realizando diretamente a cobrança da taxa no momento da fiscalização, ficou
constatado que ela já atua economicamente na execução do serviço.
O órgão também informou ter identificado possíveis
irregularidades relacionadas aos direitos dos consumidores, incluindo questões
ligadas ao direito à informação, eficiência dos serviços prestados, proteção de
dados pessoais e transparência nas operações realizadas.
Outro ponto que chamou a atenção dos fiscais foi a
realização de operações de câmbio. De acordo com o relatório do Procon-RJ,
foram encontrados indícios dessa atividade, embora representantes da empresa
tenham afirmado que o serviço não era oficialmente oferecido pela CashPago. A
situação levantou dúvidas sobre a eventual prática de atividade econômica sem
autorização específica e sobre a fiscalização das operações realizadas nos
principais pontos turísticos do município.