O presidente da Câmara Municipal de Angra dos Reis, Jorginho Brum (MDB), o vereador mais votado do partido, acusa o presidente do diretório municipal do partido, Fernando Jordão, ex-prefeito local, de perseguição política para barrar sua candidatura a deputado estadual. A denúncia ocorre às vésperas do fim do prazo de filiação partidária, nesta sexta-feira, 3 de abril.


Brum relata que, apesar de sua posição de destaque como presidente da Câmara, nunca foi convidado para participar de comissões internas do MDB nem para discutir estratégias eleitorais. “Sempre me senti excluído das decisões partidárias”, declarou o parlamentar. Segundo ele, o grupo ligado a Jordão teme que sua candidatura prejudique os planos da deputada estadual Célia Jordão (PL), esposa do presidente municipal do MDB. Nos bastidores, circula a informação de que Brum pode ficar sem legenda para disputar as eleições.


A vereadora Jane Veiga (MDB) reforça a percepção de isolamento político, e outros vereadores da base confirmam o cenário de exclusão. Em documento enviado ao diretório estadual do partido, Brum denuncia uma “verdadeira ditadura interna” comandada por Jordão e pede intervenção para garantir sua participação no processo eleitoral.


Diante do impasse, Brum enfrenta um dilema: permanecer no MDB com risco de não ter legenda ou migrar para outro partido, como o PRD, que já manifestou interesse. No entanto, sem janela partidária aberta para vereadores, a troca poderia configurar infidelidade e resultar na perda do mandato. O prazo para filiação termina nesta sexta-feira, deixando o futuro político do vereador incerto e expondo divisões internas no MDB de Angra dos Reis.