A Câmara Municipal de Angra dos Reis marcou para o dia 22 de outubro, às 14h, no Plenário Benedito Adelino, a sessão de julgamento do processo por quebra de decoro parlamentar contra o vereador Greg Duarte (PL), o Greguy Soares Duarte. Todos os vereadores foram convocados para a votação, que pode resultar na cassação do mandato. A acusação central é a de manutenção de funcionários fantasmas no gabinete do parlamentar.
A data só foi definida após um impasse jurídico. A defesa do vereador havia obtido uma liminar que impedia a realização da sessão, e o Parlamento não havia marcado o julgamento enquanto a decisão estava em vigor. A Câmara recorreu, conseguiu derrubar a liminar e, com o caminho liberado, convocou a votação para o dia 22.
O caso ganhou força em 24 de março deste ano, quando a
Polícia Federal deflagrou a Operação Caça Fantasmas. Foram cumpridos cinco
mandados de busca e apreensão em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro e em Juiz de
Fora (MG), além de vasculhadas a residência do vereador e seu gabinete na
Câmara. O celular do parlamentar foi apreendido e não houve prisões. Quatro
pessoas são investigadas.
Segundo a investigação, servidores nomeados para cargos de
assessoria não exerciam atividade efetiva no Legislativo. Um dos casos citados
pela PF é o de uma assessora de uma dentista de Juiz de Fora e recebia cerca de
R$ 7 mil mensais e transferia integralmente os valores para o advogado da
campanha de Greg que também era nomeado na Câmara. Os investigadores apuram
ainda se os recursos públicos desviados eram usados para financiar outras
campanhas políticas — ponto central das acusações que sustentam o pedido de
cassação.
Greg Duarte nega as irregularidades e acusou o delegado da
polícia federal de perseguição e de ter forjado o caso, só que o delegado
acusado não era o responsável pelas investigações, que entrou com uma série de processos
judiciais contra o parlamentar de injuria, calúnia, difamação e quebra de
decoro parlamentar. O parlamentar também foi denunciado por coação a testemunhas
e tentativa de interferências nas investigações, chegando a usar tornozeleira
eletrônica como medida cautelar.
A sessão de 22 de outubro deve incluir a leitura do
relatório da Comissão de Ética, a defesa do parlamentar e a votação nominal dos
vereadores. Caso o plenário aprove a perda do mandato, a decisão é comunicada à
Justiça Eleitoral, que convoca o suplente da coligação. O julgamento encerra um
processo que colocou o Legislativo de Angra dos Reis no centro do noticiário
nacional e testa a resposta da Casa a acusações de uso eleitoral da máquina
pública.