O cenário político fluminense ferve com a mais recente reviravolta nas eleições para o governo do Rio de Janeiro. O Partido Social Democrático (PSD), sigla do candidato Eduardo Paes, protocolou uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (14 de outubro de 2026), buscando restabelecer o segundo turno da disputa, inicialmente agendado para o dia 25 de outubro.

A ação do PSD contesta a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que, no último dia 8, determinou a anulação de 274.411 votos dados a Anthony Garotinho (Republicanos). Segundo o partido, essa exclusão alterou drasticamente o resultado final, transformando os 49,27% do então primeiro colocado, Douglas Ruas (PL), em 50,88%, garantindo-lhe a vitória no primeiro turno.

A polêmica teve início após o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) confirmar, no último sábado (10), a vitória de Douglas Ruas. A retotalização dos votos, imposta pelo TSE, ocorreu porque Anthony Garotinho concorreu com o registro de candidatura indeferido, apesar de seu nome ter figurado nas urnas. O PSD argumenta que, conforme o artigo 77, parágrafo 2º, da Constituição Federal, para a definição da realização de segundo turno, apenas votos nulos e brancos deveriam ser excluídos da base de cálculo, e não os votos atribuídos a um candidato que, mesmo inelegível, participou do processo eleitoral.

A corrida pelo Palácio Guanabara, que parecia definida após a retotalização, agora volta para os tribunais. A validade dos votos de Anthony Garotinho tornou-se o ponto crucial para determinar se a eleição teria um segundo turno entre Douglas Ruas e Eduardo Paes.

Confira a cronologia dos fatos:

  • 8 de outubro: O TSE rejeita a desistência de recurso de Garotinho e, por cinco votos a dois, mantém o indeferimento de sua candidatura, anulando seus votos.
  • 10 de outubro (sábado): O TRE-RJ, seguindo a determinação do TSE, retotaliza os votos e confirma a vitória de Douglas Ruas no primeiro turno, que atinge 50,88% dos votos válidos.
  • 12 de outubro (segunda-feira): O PSD, após ter um recurso anterior negado pelo ministro Cristiano Zanin por questões processuais, apresenta uma nova ação.
  • 14 de outubro (quarta-feira): O PSD protocolou a ADPF no STF, solicitando em caráter liminar a suspensão da retotalização e a retomada da disputa entre os dois candidatos mais votados.

O partido de Eduardo Paes sustenta que os votos de Garotinho, que estava com o nome na urna e recebeu o sufrágio dos eleitores, deveriam integrar a base de cálculo da maioria absoluta. A nota oficial do PSD Nacional reforça a importância de evitar "lesão ao art. 77, parágrafo 2º, da Constituição Federal", que estabelece a necessidade de maioria absoluta dos votos nas eleições para Presidente, Governador e Prefeito.

A expectativa agora se volta para o Supremo Tribunal Federal, que terá a palavra final sobre a validade do resultado eleitoral e a possível realização de um segundo turno que promete acirrar ainda mais a disputa pelo governo do Rio de Janeiro.