Entre águas cristalinas, praias de areia branca e trilhas exuberantes cercadas pela Mata Atlântica, a Ilha Grande, em Angra dos Reis, na deslumbrante Costa Verde fluminense, revela uma história de notável transformação. O território, que por décadas abrigou um dos mais notórios presídios do país, hoje se consolida como um ícone de turismo de natureza, preservação ambiental e pesquisa científica de ponta.

A virada começou a ser desenhada oficialmente em junho de 1971, com a criação do Parque Estadual da Ilha Grande pelo Decreto Estadual nº 15.273. Com aproximadamente 15 mil hectares, a iniciativa visava harmonizar a implantação de uma estrutura turística com a fundamental proteção da reserva florestal. Naquele período, a demarcação priorizou áreas que permanecem entre os principais atrativos da região, como a charmosa Vila do Abraão, a paradisíaca Praia de Lopes Mendes e a histórica Freguesia de Santana.

Com impressionantes 193 quilômetros quadrados, a Ilha Grande é reconhecida como a terceira maior ilha do Brasil, conforme estudos do Ecomuseu Ilha Grande, ligado à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Seu nome, de origem indígena, remete a "Ipaum Guaçu", expressão tupi que significa precisamente "ilha grande". A riqueza natural do local transcende fronteiras, sendo parte da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, reconhecida pela UNESCO desde 1992.

Entre os cartões-postais que atraem visitantes de todo o mundo, a Praia de Lopes Mendes se destaca. Com sua extensa faixa de areia fina e clara, mar aberto e um cenário impecavelmente preservado, oferece uma experiência inesquecível. A jornada se completa com caminhadas por trilhas deslumbrantes, passeios de barco que revelam enseadas escondidas e visitas enriquecedoras às acolhedoras comunidades insulares.

Do Cárcere à Ciência: O Legado da Vila Dois Rios

Um capítulo particularmente marcante da história da ilha se desenrola na Vila Dois Rios. Este local abrigou o temido Instituto Penal Cândido Mendes entre 1940 e 1994. Após o encerramento das atividades penitenciárias, a área foi entregue à UERJ, que, a partir de 2001, implantou o visionário Ecomuseu Ilha Grande. O espaço hoje abriga o Museu do Cárcere e outras estruturas históricas, dedicadas a preservar a memória do antigo complexo, transformando o passado em objeto de estudo e reflexão.

A transformação também floresce no Parque Botânico Ilha Grande, uma iniciativa que produz cerca de três mil mudas por ano e busca recontar a história do território por meio de sua rica vegetação. O acesso a essa área ocorre pela trilha que conecta o Abraão a Dois Rios, seguindo o traçado da antiga estrada que era utilizada para chegar ao presídio, uma metáfora viva da jornada da ilha.

Planejando sua Visita

A Ilha Grande pode ser explorada durante todo o ano. Entre junho e agosto, o menor volume de chuvas favorece as longas caminhadas pelas trilhas. Já no verão, a recomendação é priorizar os passeios de barco pela manhã, a fim de evitar os temporais típicos da estação. O acesso à ilha é feito a partir de Angra dos Reis, a cerca de 150 quilômetros da capital fluminense, via BR-101 e, posteriormente, por embarcações que atravessam a baía até a Vila do Abraão. Escunas, lanchas e táxis aquáticos garantem a conexão entre os diversos pontos paradisíacos da região.

Na Ilha Grande, natureza e memória caminham de mãos dadas. Onde antes se erguiam muros e celas, hoje prosperam mudas, pesquisas e incontáveis possibilidades de um turismo verdadeiramente responsável, impulsionando a economia local através do artesanato, da pesca e, claro, do seu principal motor: o turismo.