O Governo Federal está empenhado em apresentar, ainda em 2026, uma definição crucial sobre a retomada das obras da usina nuclear de Angra 3. A declaração foi feita nesta quarta-feira pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, sinalizando um avanço significativo nas discussões sobre o futuro energético do país.

Em entrevista a jornalistas, Silveira reforçou a determinação do Executivo em destravar o projeto, que se encontra paralisado há anos. Embora não tenha detalhado o plano exato, o ministro foi enfático sobre o prazo: "Esse ano, sim. Eu não digo o plano, mas esse ano pode sair", afirmou, ao ser questionado sobre a possibilidade de uma decisão.

A retomada de Angra 3 é vista como um passo essencial para a modernização da Eletronuclear, a estatal responsável pelas usinas nucleares brasileiras. O tema, segundo Silveira, tem sido discutido intensamente dentro do governo, inclusive na Casa Civil, demonstrando a prioridade dada à questão.

"Nós queremos avançar em Angra 3, queremos modernizar a Eletronuclear. Estamos trabalhando para isso", declarou o ministro, sublinhando o interesse em ampliar a oferta de energia firme no Brasil. A energia nuclear é considerada uma fonte de geração contínua, complementar às renováveis intermitentes como eólica e solar, fundamental para a segurança energética nacional.

Silveira também fez questão de destacar a relevância da diversidade na matriz energética brasileira. "É muito importante destacar que o Brasil é um país plural do ponto de vista da produção de energia. Energia eólica, energia solar, energia de biomassa, energia térmica, energia nuclear, que é fundamental", pontuou.

A decisão final sobre o destino de Angra 3 caberá ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), órgão responsável por definir as diretrizes da política energética nacional. A retomada do projeto depende, portanto, de uma deliberação colegiada envolvendo diversos ministérios. O ministro não informou o prazo para a reunião do conselho, mas manteve a expectativa de uma definição para este ano.

Angra 3, localizada em Angra dos Reis (RJ), possui uma potência prevista de 1.405 megawatts. Suas obras, iniciadas na década de 1980, foram interrompidas diversas vezes ao longo dos anos, gerando debates complexos sobre custos e investimentos necessários para sua conclusão.

Atualmente, o Brasil conta com Angra 1 e Angra 2 em operação, que respondem por cerca de 2% da matriz elétrica. A conclusão de Angra 3 poderia aumentar essa participação, impactando o custo da energia no longo prazo e a segurança do abastecimento. Além disso, a retomada do projeto movimentaria a cadeia de fornecedores e geraria empregos na região de Angra dos Reis, trazendo benefícios econômicos locais.

Detalhes sobre o financiamento da retomada das obras, bem como a possibilidade de parcerias com a iniciativa privada, ainda não foram divulgados. Novas informações são aguardadas após a deliberação do CNPE.