O candidato do Novo ao Governo do Rio, André Marinho, lançou uma proposta ambiciosa para a segurança pública fluminense: a reconstrução do antigo presídio da Ilha Grande, em Angra dos Reis, para transformá-lo em uma unidade de segurança máxima com capacidade para 12 mil presos. A iniciativa, apresentada nesta quarta-feira, prevê erguer o complexo em Dois Rios, inspirado no megacomplexo penitenciário Cecot, construído em El Salvador.
A escolha do local não é aleatória. Marinho associou a Ilha Grande à história do crime organizado no estado. “O berço do Comando Vermelho será o túmulo do Comando Vermelho”, afirmou o candidato, fazendo referência às origens da facção dentro do sistema penitenciário fluminense.
Batizada provisoriamente de Cecot Felipe Monteiro Marques, em homenagem a um copiloto da Polícia Civil falecido em maio, a unidade seria destinada a concentrar presos de alta periculosidade e lideranças de organizações criminosas. A Ilha Grande possui um histórico complexo com o sistema carcerário, que remonta a 1903 com a instalação da Colônia Correcional.
Ao longo das décadas, o local abrigou o Instituto Penal Cândido Mendes, recebendo tanto presos comuns quanto políticos. Foi especialmente a partir do fim dos anos 1960, durante a ditadura militar, que a convivência entre esses grupos no complexo de Dois Rios contribuiu para a formação da organização que viria a ser conhecida como Comando Vermelho. O Instituto Penal Cândido Mendes foi fechado e implodido em 1994, com cerca de 400 detentos transferidos para Bangu.
Marinho destacou que o isolamento de Dois Rios é um fator crucial para a proposta. “Em Dois Rios não há vizinhança. É o único ponto do Rio onde se bloqueia tudo sem prejudicar uma casa de família”, declarou. A operação da nova prisão funcionaria sob um regime de restrições severas, incluindo bloqueio de comunicação total, sem afetar áreas urbanas, proibição de celulares e tomadas nas celas, restrição à entrada de encomendas, fFim das visitas íntimas e eliminação de saídas temporárias.
Além disso, o candidato defende a separação dos detentos com base em sua posição na hierarquia criminosa, e não pela facção. “Chefe sem plateia deixa de ser chefe”, pontuou, visando desarticular o poder das lideranças dentro do sistema prisional.
Questionado sobre a inspiração em El Salvador, Marinho fez questão de diferenciar a engenharia prisional do regime político. “Eu importo a engenharia prisional de El Salvador, que é escala, arquitetura de contenção, tecnologia de bloqueio e isolamento de liderança. O que eu não importo é o regime de exceção do Bukele”, explicou.
A proposta de 12 mil vagas na Ilha Grande é parte de um plano mais amplo para combater o déficit carcerário do Rio de Janeiro, que se aproxima de 18 mil vagas. Segundo a campanha, seriam adicionadas outras 6 mil vagas em anexos de unidades já existentes, totalizando 18 mil novas vagas. Dados do Ministério Público de 2025 indicavam 45.962 pessoas privadas de liberdade no estado para uma capacidade oficial de 28.507, uma diferença de 17.455 vagas.
O cronograma divulgado pela campanha prevê o envio de uma proposta legislativa à Assembleia nos primeiros 90 dias de governo, a realização de estudos em até 180 dias e o início das obras em até 24 meses. “Em 2027 volta a autoridade, não a inauguração. Me cobrem pelo cronograma. Onde o Estado sumiu, o Estado vai voltar”, garantiu Marinho, ressaltando que a intervenção se restringiria a Dois Rios e incluiria compensações ambientais. A crise penitenciária tem sido um tema central em sua campanha.