Mais de quatro anos depois de uma das piores chuvas da história de Angra dos Reis, que em abril de 2022 matou sete pessoas e destruiu dezenas de casas no bairro da Monsuaba, as famílias atingidas continuam sem resposta concreta do poder público. Os 128 apartamentos prometidos pelo governo— batizados de Conjunto Habitacional Recomeçar — seguem sem data oficial de entrega, enquanto os moradores, como dona Helena, permanecem dependentes do aluguel social, vivendo uma espera que já se arrasta por mais de quatro anos e parece não ter fim.
A promessa foi feita ainda em 2022, logo após os
deslizamentos que devastaram o bairro. O projeto, coordenado pela Secretaria de
Habitação de Interesse Social, previa a construção de 128 unidades em cinco
blocos na rua dos Sem Terra, sendo 32 destinadas a pessoas com deficiência. O
edital só foi publicado em março de 2023, e desde então as obras avançaram em
ritmo lento, com prazos sucessivamente adiados e promessas que se renovam sem
se concretizar.
Em março de 2025, a prefeitura realizou uma vistoria no
canteiro de obras, alimentando a expectativa das famílias. Em março de 2026, o
governo chegou a afirmar que a construção estava "na reta final" e
que a entrega ocorreria entre julho e agosto. Mas agosto já passou e, até o
momento, não há qualquer confirmação oficial de data para a entrega das chaves
— mais uma vez, a promessa esbarra na falta de compromisso com o cronograma.
Enquanto isso, os moradores seguem recebendo aluguel
social, um benefício que, embora essencial, não devolve a estabilidade perdida.
As famílias vivem em imóveis provisórios, muitas vezes distantes de suas redes
de apoio, e carregam a insegurança de quem não sabe quando — ou se — terá um
lar definitivo. O governo prometeu que as certidões de Registro Geral de
Imóveis (RGI) seriam entregues junto com as chaves, mas de nada adianta a
promessa de um documento se a casa continua sendo apenas um projeto.
Conclusão
O Conjunto Habitacional Recomeçar carrega um nome irônico
para quem ainda espera. Passados mais de quatro anos da tragédia, as famílias
da Monsuaba seguem sem previsão de entrega e sem respostas claras do poder
público. A reconstrução prometida não pode continuar sendo adiada
indefinidamente: o que está em jogo não é apenas a entrega de apartamentos, mas
a dignidade de dezenas de famílias que já esperaram tempo demais por um lar que
o estado prometeu e ainda não cumpriu.