Um incêndio que consumiu a tradicional Casa de Farinha do Rio Pequeno, no último dia 18 de outubro, acendeu um alerta máximo na Prefeitura de Paraty, que prontamente acionou o Ministério da Justiça e Segurança Pública, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e forças de segurança. O episódio, que afeta um símbolo histórico e econômico da região, intensificou as já existentes tensões territoriais entre as comunidades caiçara e indígena, levando o governo municipal a cobrar medidas preventivas urgentes para preservar a segurança dos moradores.
A Casa de Farinha, com mais de um século de história, é um pilar cultural, social e econômico para os caiçaras de Paraty. Sua destruição pelo fogo não apenas representa uma perda material, mas também aprofunda as preocupações sobre a convivência pacífica na área. As circunstâncias do incêndio e as eventuais responsabilidades estão sob apuração das autoridades competentes, mas a urgência em desarmar o clima de conflito é a prioridade.
O prefeito Zezé Porto informou que a administração municipal está acompanhando de perto o caso e já solicitou um reforço significativo no policiamento do bairro. Polícia Federal e Polícia Militar foram mobilizadas, e houve contato direto com o comandante da 2ª Companhia da PM para ampliar a presença policial até que a situação se normalize. “Estamos acompanhando de perto a situação do Rio Pequeno. O que a gente quer é o convívio da harmonia e que haja uma intervenção imediata do Governo Federal para não ocorrerem mais atritos,” afirmou o prefeito.
Não é a primeira vez que a cidade busca auxílio federal para mediar os conflitos. Em setembro, uma reunião emergencial por videoconferência já havia sido realizada com representantes do Ministério da Justiça, buscando uma solução pacífica para as disputas. Participaram do encontro o prefeito, o presidente da Câmara Municipal, Vaguinho de São Gonçalo, membros do Fórum das Comunidades Tradicionais e da Procuradoria-Geral do Município. Na ocasião, a prefeitura cobrou uma atuação mais efetiva do Governo Federal, responsável pelas questões de demarcação de terras indígenas.
A gestão municipal também mantém contato com a Funai, solicitando a presença do órgão em Paraty para facilitar a interlocução entre os grupos envolvidos. A Prefeitura defende o respeito aos direitos tanto dos povos originários quanto da população caiçara, além do cumprimento rigoroso da legislação. O executivo local repudia veementemente ameaças, depredações, disseminação de informações falsas e manifestações xenofóbicas.
A administração municipal reforça que as divergências territoriais devem ser tratadas pelas vias institucionais, com diálogo e mediação. O prefeito Zezé Porto expressou sua preocupação após se reunir com representantes da associação local e moradores na Câmara Municipal, ao lado de vereadores. A Prefeitura reiterou o pedido de atuação célere do Ministério Público, do Ministério da Justiça e das demais instituições competentes para mediar as divergências, esclarecer os fatos e evitar novos episódios de violência enquanto não houver uma definição clara sobre a questão territorial.