Funcionários, inclusive médicos, e moradores de Angra dos Reis realizaram um protesto na Rio-Santos, na manhã desta quinta-feira, dia 11, contra o fechamento da emergência do Hospital de Praia Brava, administrado pela Fundação Eletronuclear de Assistência Médica (FEAM), criada pela estatal Eletronuclear, responsável pelas usinas Angra 1 e 2 e pela Usina Angra 3, um “elefante branco” cujas obras, mais uma vez paralisadas, se arrastam há décadas.

O médico Dr. Bogado muito conhecido e querido em Angra também participou no protesto

A FEAM já havia suspendido o atendimento à população em geral, mantendo apenas os atendimentos por planos de saúde e particulares. Porém, no último dia 9, a porta que dava acesso ao atendimento do público foi lacrada.

Quem procurou atendimento no hospital nesse dia encontrou apenas um aviso improvisado, colado na porta de entrada, informando que o pronto atendimento para pacientes do SUS passaria a funcionar de forma referenciada.

De acordo com o comunicado, os usuários deveriam procurar inicialmente a unidade de saúde de seu bairro. Somente após avaliação, e se houvesse necessidade, o paciente seria encaminhado pela unidade ao Hospital de Praia Brava. No mesmo comunicado, a FEAM agradecia a compreensão de todos.

Mas nem os funcionários e nem a população compreenderam a decisão, que afeta diretamente a saúde pública da cidade. A FEAM alega problemas financeiros devido aos atrasos nos repasses de recursos da Eletronuclear.

Por mais incrível que possa parecer, a Prefeitura de Angra não se opôs à decisão. O prefeito em exercício, Rubinho Metalúrgico, apareceu nas redes sociais em um vídeo ao lado de diretores da FEAM, que afirmam que o hospital não está fechado, mas sim referenciado. Resumindo: querem economizar no lombo do povo angrense. Quem utiliza a rede pública municipal sabe que os médicos das ESFs e UBSs são orientados a evitar ao máximo os encaminhamentos para especialistas. O prefeito Ferreti , por sua vez, continuava de férias até a publicação desta reportagem.

Vale lembrar que a editora de A Cidade, Danielle Afif desde abril de 2025 vem alertando sobre o possível fechamento do Hospital de Praia Brava em vídeos postados nas redes sociais. Ou seja, o que aconteceu não é novidade. A Eletronuclear negava a possibilidade, mas as consequências estão aí, prova de que a negação não resolve problemas, apenas adia o momento em que eles vêm a público.

Também vale destacar que isso ocorreu paralelamente ao momento em que a Eletronuclear apresentava à Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) propostas para ampliar a capacidade de armazenamento dos rejeitos radioativos produzidos pelas usinas de Itaorna, ou seja, em Angra dos Reis.