O Rio de Janeiro consolida-se como o principal centro de formação do país ao sediar a 22ª edição do Curso de Formação de Instrutores do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd). A iniciativa, que receberá policiais militares de diversos estados, reforça o papel pioneiro do Proerd fluminense na formação de instrutores e na disseminação de boas práticas de educação preventiva por todo o Brasil.

Com 150 instrutores em atividade, o Proerd já alcança os 92 municípios do estado. Esse número será ampliado em agosto, com a capacitação de 36 novos policiais. O curso, que ocorrerá entre os dias 17 e 28 na Fazenda Marambaia, em Guaratiba, habilitará os agentes a atuar na prevenção às drogas e à violência no ambiente escolar, abrangendo desde a educação infantil até o ensino médio.

Criado em 1992, o Proerd atua há mais de três décadas nas escolas do estado, promovendo palestras e atividades educativas sobre temas cruciais como prevenção às drogas, bullying, cyberbullying e violência escolar. No período pós-pandemia, o programa registrou uma média anual impressionante de 1.386 colégios atendidos, impactando cerca de 3.753 turmas e mais de 107 mil alunos.

O trabalho é desenvolvido por policiais militares rigorosamente capacitados, com pelo menos dois anos de atividade e bom comportamento, além de passarem por exames de escrita, oratória e psicologia. Os conteúdos são adaptados para cada faixa etária: nos anos iniciais, focam em segurança pessoal e convivência; no ensino médio, abordam drogas, violência, pressão social, saúde emocional e escolhas conscientes.

O subtenente Ricardo Negreiros, policial do Proerd, destaca o objetivo principal do programa: “O nosso trabalho é baseado no diálogo. Criamos uma relação de confiança com os alunos e podemos passar informações que eles conseguem aplicar dentro e fora da escola. Nós temos a oportunidade de conhecer os alunos nas séries iniciais e encontrá-los novamente nos anos subsequentes e há uma mudança significativa no comportamento deles. Saber que eu posso fazer a diferença na vida de uma criança e de um adolescente é gratificante”, afirmou.

Patrulha da Criança e do Adolescente: um elo entre polícia, escola e família

Além do Proerd, a Polícia Militar do Rio de Janeiro conta com outro braço fundamental para a rede escolar: a Patrulha da Criança e do Adolescente, criada em 7 de fevereiro de 2022. O programa atua de forma preventiva e especializada nas escolas, promovendo ações de segurança, orientação e acolhimento.

Desde sua criação, a patrulha já atendeu 7.576 escolas, registrou 145.807 boletins, realizou 1.076 ações preventivas e promoveu 1.621 palestras, alcançando aproximadamente 57 mil alunos. A capitão Cristiane Maria de Souza Lima explicou que o trabalho vai além do policiamento tradicional: “O objetivo é fortalecer a aproximação entre polícia, escola e família. A prevenção começa pela confiança. O aluno precisa entender que pode procurar ajuda e que existe uma rede preparada para acolher e proteger. É um policiamento mais especializado e integrado com toda a rede de apoio, como se fosse um elo entre educação e a família e o estreitamento com o judiciário”, detalhou.

As ações da patrulha incluem palestras sobre bullying, cyberbullying, violência escolar, segurança digital e prevenção de ataques em ambientes escolares. Gestores e professores também recebem orientações sobre protocolos de segurança e identificação de situações de risco.

Parceria que transforma o cotidiano escolar

No Colégio Estadual Vicente Januzzi, na Barra da Tijuca, a parceria com a Polícia Militar tem sido crucial. A diretora adjunta Joelma Machado relata que casos de uso de vape e cyberbullying foram trabalhados em conjunto com o Proerd. “Muitas vezes, a presença deles aqui já ajuda na sensação de segurança. No caso do aluno encontrado com vape, a direção fez todo o protocolo em relação aos responsáveis e, logo depois, iniciamos um trabalho de conscientização com a turma. O subtenente Ricardo Negreiros atuou diretamente nessa turma e é muito bom quando temos alguém preparado para tratar esses assuntos com os adolescentes”, disse a diretora.

Entre os estudantes, a receptividade é altamente positiva. Lenito Augusto da Silva Bernardo Júnior, de 16 anos, expressa: “A presença deles na escola me traz segurança e é muito bom ter uma escola que traz esse tipo de palestra, pois aprendemos mais. Por mais que eu já saiba dessas coisas pela educação que tenho em casa, é bom ter mais conhecimento sobre esses assuntos”.

A estudante Alice Teixeira Miranda Lopes, de 14 anos, também ressalta o impacto: “Nos sentimos mais acolhidos. Eles mostram como lidar com situações difíceis e isso faz os alunos terem mais consciência. A palestra sobre drogas, por exemplo, nos mostrou como podemos lidar com isso e nos deu mais consciência de que isso realmente acontece com diversas famílias”. A presença da polícia, segundo Alice, dá a sensação de que há pessoas que se importam com a segurança dos estudantes, e ela já percebeu a mudança de atitude em muitos colegas após as atividades do Proerd.