O estado do Rio de Janeiro tem uma das populações inadimplentes mais envelhecidas do país. É o que aponta um levantamento da empresa de inteligência de dados Assertiva, que analisou o perfil de consumidores com histórico de inadimplência recorrente.

Segundo o estudo, 23,9% dos endividados recorrentes fluminenses têm mais de 65 anos. É o maior percentual entre os estados analisados pela pesquisa.

O levantamento consultou quase 27,6 milhões de CPFs de consumidores endividados acompanhados por empresas de cobrança em 2025. Desse total, cerca de 3 milhões pertencem ao estado do Rio de Janeiro.

Os dados indicam que o endividamento deixou de atingir principalmente a população economicamente ativa e passou a afetar de forma mais significativa os idosos. O percentual registrado no Rio supera os de estados como São Paulo, onde a faixa etária acima de 65 anos representa 20,18% dos inadimplentes recorrentes, Minas Gerais (20,12%) e Paraná (19,01%).

Ao mesmo tempo, o estado apresenta uma das menores participações de jovens entre os consumidores com histórico de inadimplência. Apenas 3,11% têm até 25 anos, o menor índice da amostra.

A pesquisa também mostra que a mediana das dívidas dos inadimplentes recorrentes no Rio é de R$ 537, a maior entre os estados avaliados. O indicador sugere que, além de mais envelhecida, a inadimplência recorrente fluminense está associada a valores médios mais altos.

Em relação ao perfil por gênero, a distribuição é equilibrada. Os homens representam 50,25% dos consumidores inadimplentes recorrentes, enquanto as mulheres correspondem a 49,75%.

Para o CEO da Assertiva, Hederson Albertini, os números reforçam a necessidade de políticas voltadas à educação financeira e à renegociação de débitos para a população idosa.

"Os dados evidenciam a necessidade de iniciativas voltadas à educação financeira e renegociação de dívidas para a população mais velha, grupo que vem ganhando relevância no cenário da inadimplência nacional", afirma.

Cabe lembrar que o endividamento de idosos, não só no Rio, mas em todo o Brasil por causa de filhos e netos é uma realidade grave e crescente. Segundo dados de órgãos de proteção ao crédito, a inadimplência entre a população idosa cresceu significativamente, impulsionada pelo uso da aposentadoria como rede de segurança para cobrir despesas de parentes desempregados ou em crise.

Por terem renda fixa e garantida, os idosos tornam-se o alvo principal para a tomada de empréstimos consignados, que muitas vezes são repassados integralmente para filhos e netos. Além disso, para ajudar a família, os idosos acabam deixando de pagar suas próprias contas básicas, como água, luz e medicamentos. 

Em casos mais extremos, a pressão familiar ou o uso indevido da renda do idoso sem o seu consentimento caracteriza violência financeira, um crime tipificado no Estatuto da Pessoa Idosa. Existem ferramentas para proteger o patrimônio e a renda da terceira idade no país.  Casos em que familiares obrigam ou coajam o idoso a assumir dívidas devem ser denunciados como violência patrimonial. 

Para buscar auxílio ou realizar denuncia existem as seguintes ferramentas: Disque 100 (Disque Direitos Humanos), que recebe denúncias de violência contra idosos, incluindo a financeira;  o Procon do seu município para orientações sobre renegociação de crédito e bloqueio de descontos indevidos e a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro para assistência jurídica gratuita. (Fonte G1)