O clima vibrante da Copa do Mundo tomou conta das escolas interculturais da rede estadual de ensino do Rio de Janeiro. Longe de ser apenas um evento esportivo, o Mundial se tornou uma oportunidade ímpar para os estudantes aprofundarem seus conhecimentos sobre as nações participantes, transformando a comunidade escolar em um caldeirão de culturas e torcidas.
Fruto de parcerias entre o Governo do Rio e embaixadas e consulados de diversos países, essas unidades se preparam para celebrar a Copa, vestindo as cores do Brasil e dos países parceiros. Das 40 escolas nesta modalidade de ensino, 31 estão ativamente na torcida pelos países neste Mundial, usando o futebol como uma porta de entrada para um vasto universo de aprendizado.
A competição é um catalisador para estimular o conhecimento e reforçar a aprendizagem dos alunos, com produções de texto, atividades temáticas e pesquisas aprofundadas sobre as nações representadas. A empolgação é palpável nos corredores.
- “Estamos todos animados, decorando a escola com bandeiras do Brasil e da Suécia, além dos murais com jogadores dos dois países. É uma movimentação bem legal, adoro esses momentos. Estamos todos na torcida”, conta Manuella Sousa de Oliveira, aluna do Ciep 345 Y-Juca Pirama Intercultural Brasil-Suécia, de Nova Iguaçu.
Para Margareth Cataldi, diretora do Colégio Estadual Jardim Marilice Intercultural Brasil-Uruguai, o Mundial da FIFA é um recurso valioso para promover a integração e o diálogo intercultural. “É um momento especial de união entre povos e culturas. Em uma escola intercultural, esse evento fortalece os laços de amizade e respeito entre os dois países, valorizando suas semelhanças e diferenças. Além da paixão pelo futebol, os estudantes têm a oportunidade de conhecer melhor a história, as tradições, os costumes e os idiomas que fazem parte de suas identidades”, destaca a diretora.
Neste período, as unidades escolares usam o futebol para trabalhar diversos aspectos pedagógicos cruciais, como respeito, cooperação e trabalho em equipe. Os projetos acadêmicos envolvem atividades esportivas, pesquisas sobre os países participantes, produção de textos e trabalhos artísticos, confecção de cartazes e pintura temática e ações que estimulam o aprendizado de forma lúdica, incentivando a integração e a comunicação.
A Copa do Mundo inspira, mas o principal legado defendido pelas escolas é a formação construída no dia a dia. “O clima de empolgação já tomou conta da escola. Fizemos um trabalho de Geografia, confeccionando as bandeiras dos países que vão participar da Copa. Estou com ótimas expectativas e espero que seja um evento cheio de emoções e momentos marcantes. E, claro, estamos todos na torcida para que o Brasil faça uma grande campanha e conquiste o tão sonhado hexa”, conclui Rayssa do Carmo Felicio, que estuda no Ciep 218 Ministro Hermes Lima Intercultural Brasil-Turquia, de Duque de Caxias.
O Sucesso das Unidades Interculturais
O modelo intercultural é um diferencial, aliando as disciplinas da matriz curricular a conteúdos específicos em uma determinada língua estrangeira. Essas unidades combinam o ensino das disciplinas da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e o horário integral com o aprendizado de idioma, geografia, história e cultura dos países parceiros.
Essa proposta pedagógica permite que os estudantes façam uma verdadeira imersão cultural, tornando os colégios em “centros culturais” e portas de oportunidades para carreiras nacionais e internacionais.
“As escolas interculturais têm uma dinâmica clara, bem definida e realizada de maneira prazerosa, apoiando a autonomia e a sensação de pertencimento dos estudantes. Este é o grande objetivo de nossas interculturais: serem verdadeiros centros culturais, vivenciando os costumes dos países parceiros dentro dos muros da escola e expandindo por toda a comunidade”, afirma Luciana Calaça, secretária de Estado de Educação do Rio de Janeiro.
As instituições com essa modalidade de ensino têm registrado excelentes resultados no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), com notas acima da média. O apoio pedagógico vindo destas parcerias contribui significativamente com a aquisição de materiais, livros e recursos pedagógicos, além da formação e qualificação dos professores. Ao longo dos anos, os alunos dessas unidades são preparados para atuar no mercado de trabalho, seja no Brasil ou em qualquer país.
“É incrível estudar em uma intercultural. Hoje em dia, é muito necessário o aprendizado das línguas diversas do mundo, e as nossas chances são maiores no mercado de trabalho. A cultura chinesa também é muito forte e essencial para os estudantes que entendem a sua importância cultural nos dias atuais. Pena a China não estar na Copa”, comenta Maria Luiza Costa de Oliveira, estudante do Ciep 097 Filinto Muller Intercultural Brasil-China, de Duque de Caxias.